sábado, abril 24

Fim da tarde


quinta-feira, abril 22

Estranho

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Surpresa matinal. Está a gente a pensar nas confusões que a vida traz, nos rostos que se esqueceram, nos casos bicudos e nos problemas que dói resolver. Mas vão-se os olhos para a forma estranha que pousou numa folha e, por um instante, esquece-se o resto.

segunda-feira, abril 19

Finalmente as caras e os nomes


José Mário Silva, crítico literário do Expresso, avalia um escritor.
José Mário Silva prepara a bandarilha.
José Mário Silva depois da estocada.
Paulo Ferreira (Booktaylors) e Lúcia Melo (Quetzal)
Francisco José Viegas numa filmagem na Rua dos Clérigos (Porto), preparando-se para repetir pela sétima vez "Guerra Junqueiro nunca foi um homem consensual".
FJV castigado agora por pronunciar mal a frase: "Guerra Junqueiro nunca foi um homem consensual".
FJV pronto para repetir pela décima segunda vez: "Guerra Junqueiro nunca foi um homem consensual".
Visita-relâmpago às raízes gaienses.
Já monsieur de Lapalisse afirmou que só de Gaia se vê bem o Porto.
Lourenço Mutarelli, jóia de homem, brasileiro e escritor. Para saber leia "A arte de produzir efeito sem causa". Autor da Quetzal, claro.
Francisco Guedes, organizador da LeV 2010, fingindo de mau da fita que não gosta de fotógrafos.
Lúcia Melo, FJV, Margarida Ferra - a trindade tricéfala da serpente emplumada que dá pelo nome de Quetzal.
FJV segredando a Arthur Dapieve (leia "Black Music", leia) que o fotógrafo nasceu em 1930, pelo que tudo se lhe perdoa.
Paula Guedes, organizadora de gentileza e eficiência ímpar, terror dos hoteleiros, actriz, mãe-galinha dos escritores com sede.
FJV, face esfíngica da Quetzalcoatl, a serpente emplumada em que diariamente encarna às sete da manhã.
Arthur Dapieve perguntando-se o que acontece com os portugueses quando almoçam.
Carlos Vaz Marques pronto a imitar Pavarotti em Nessun dorma.
A Quetzal manducando depois de trabucar.
Manuel Alberto Valente, herdeiro de várias sabedorias orientais e ocidentais, ladeado por José Mário Silva e Mónica Marques - a Mónica Marques, a tal.
Lúcia Melo e Mónica Marques - a Mónica Marques, a tal - avaliando o gado.

LeV 2010 - Matosinhos




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Bebe-se, come-se, fuma-se, conversa-se, olha-se o mar.

sábado, abril 17

LeV


De amanhã a quarta-feira vou estar aqui, mas com alguma surpresa, ora me vejo no programa, ora desapareço dele.
Quando me convidaram perguntei que papel seria o meu e o que ia lá fazer. Responderam-me gentilmente que iria sobretudo para comer bem, conhecer pessoas, divertir-me e descansar.
Então deve ser isso. Despeço-me até quarta ou quinta e começo já o descanso.

sexta-feira, abril 16

Pernas (2)

Faltou pela primeira vez uma terça-feira, mas o desapontamento neles notou-se apenas em pequenos gestos de irritação, num ou noutro remoque, nos "até logo" indiferentes quando se separaram.

Viram-na na quarta e no dia seguinte. Quando de novo desapareceu ainda demorou até que, com rodeios e palavras vagas, alguns se decidiram a perguntar no banco. Sim, era funcionária muito competente, tinha sido transferida, mais não podiam dizer.

Pasmo quando tempos depois a viram atravessar a praça, de braço dado com um desconhecido, mas só o Aníbal não conseguiu conter-se: - É a gaja, não é?

Os outros olharam como se não tivessem visto, encolheram os ombros e continuaram o dominó, desinteressados quando ele saiu.


Descobriu-os quando já iam perto dos Bombeiros, seguiu-os até ao Campo da Feira, passaram o cemitério, ele uma sombra desatinada, a resfolegar, atónito quando se viu defronte do desconhecido que lhe barrava o caminho:

- Quer alguma coisa?

Não, não queria nada, mas já o outro o pegara pelos ombros e sacudia como se quisesse...


Estas coisas acontecem e desculpas não faltam. A verdade é que de vez em quando se começa uma história com a ideia de determinado enredo e de súbito tudo emperra: os personagens recusam tornar-se "vivos", o movimento perde o ritmo, as cenas surgem banais em demasia.

Em ocasiões dessas Raymond Chandler recomendava que, para sair do impasse, um dos personagens cometesse um assassinato ou descobrisse um cadáver.

Na história acima tentei o assassinato, mas não resultou. Por mais voltas que lhe desse o desconhecido continuava a agarrar o Aníbal pelos ombros e a sacudi-lo.

De modo que resolvi parar e a deixo aqui como testemunho, mais um, dos falhanços sem conta que são o pão nosso de cada dia de quem escreve.

quarta-feira, abril 14

Pernas (1)

As pernas. O problema são as pernas, mas já lá vamos. Nalguns dias são eles sete, às vezes só os quatro mais fiéis, depois do almoço, hábito de anos, sentam-se no café à mesa junto da janela. Reformados, mas no viço dos sessenta com força e saúde. Gostam da companhia e entretêm-se com a política, mexericos, futebol, a televisão de ontem, uma ou outra piada, o dominó. De vez em quando há um que não resiste e olha discretamente o relógio, mas os outros, se vêem, fingem não dar conta.

Ao quarto para as duas, pontual, ela surge no outro lado da praça, mas em vez de cortar a direito, o previsível, caminha ao longo dos prédios e só depois atravessa a placa, dando a impressão de que se dirige ao café. Olham-na calados, seguem-na até que dobra a esquina.

Houve uma altura em que se não continham – "Que pernas! Olha-me para aquilo!" - mas depois qualquer coisa aconteceu e desde então, silenciosos, só olham.

Terá trinta anos e de rosto não atrai, os olhos são miúdos. Mas o busto perfeito, aquelas incríveis pernas, a elegância das passadas! A saia que mal cobre as coxas!

Quando vão ao banco vêem-na numa secretária lá atrás, e um ou outro, com esperanças de adolescente, acontece andar por ali às cinco horas.

Às vezes encontram-se e fingem surpresa:

- Então, a dar uma volta?

- A dar uma volta.

(Continua)

terça-feira, abril 13

Prometido

Cumprindo o prometido no post do passado domingo, averiguou-se que a suposta "cerejeira" afinal - diz quem sabe - é uma olaia.

Frases sobre blogues

Ouvidas e anotadas desde Setembro passado.


- Não tenho ido ao seu blogue. Às vezes vou.

- Ela tem um blogue? P'ra quê?

- É um blogue de merdices. E bonecada.

- Mas vai lá alguém?

- O mais cómico é julgar-se poeta.

- O que é um blogue?

- Escreve-se como se lê: b-e-l-o-g-u-e.

- A filhota fez uns rabiscos e ele pôs aquilo no blogue. "Obras da Manuela".

- O blogue até tem piada, mas como ele está na Câmara...

- Um blogue? Não sabia. Desde quando? E é coisa de jeito?

- Modernices.

- Visitantes? Que visitantes?

- Ele dois, a mulher um, a filha dois? Cinco blogues!

- Concordo. Mas é um chato, e no blogue ainda é mais chato.

- O vocabulário! "Impropérios"; "deambular"; "nefando"; "braquicéfalo";"paraninfo"...

- O "Arrastão"? Quem é que lê o "Arrastão"? Eu não leio.

- Um blogue de política? O que é que ele sabe da política?

- Nunca lá fui. Tem gajas?

segunda-feira, abril 12

William Saroyan (1908-1981)


Nos meados da década de 40, adolescente que se respeitasse lia muito, e de certeza John Steinbeck, Erskine Caldwell, Ernest Hemingway e William Saroyan. Os outros ficaram, mas a fama deste último, nascido na Califórnia de pais arménios, brilhou uns anos e logo se extinguiu como estrela cadente. Seja como for, quando aos dezassete o li impressionou-me a ponto de tentar escrever umas histórias à sua maneira. Palavras simples, enredo idem, optimismo, pequenas alegrias, o comezinho do dia-a-dia. A entrada de Somerset Maugham e Graham Greene nas minhas simpatias eclipsou a prosa deSaroyan. Até ontem, quando dei uma vista de olhos a este livro de contos seus, comprado no Porto em 1947.

Comecei a entristecer, mas logo me recompus: lida agora acho-a má, mas quem dera poder voltar aos entusiasmos e descobertas da juventude!