terça-feira, agosto 20

Cai o Carmo e a Trindade!


https://www.atelevisao.com/famosos/cristina-ferreira-partilha-decisao-que-tomou-isso-da-me-espaco-para/

domingo, agosto 18

As olimpíadas dos pequeninos

 

Quanto mais pequeninos são mais inchados se mostram, e como está para além da sua pequenês a capacidade de terem consciência do ridículo das atitudes que tomam, acabam por se tornar padrão numa sociedade em que a aparência ganha um valor de medalha olímpica.

A própria e desmesurada chança desse muito comum tipo de gente implica, além do burlesco sentimento de superioridade, um irreprimível impulso de achincalhar o semelhante, diminuí-lo de todas as maneiras no que é, no que faz, mesmo no que eventualmente se assemelhe à posse de uma qualidade ou vantagem.

Com lógica ou sem ela, raciocíno tosco, mentira descarada, pura invenção, rasteira, canalhice, de tudo usam e abusam para diminuir o semelhante, mais ainda se aos seus olhos o dito parece ter subido um pequenino degrau na craveira social.

Entretêm-se então a rebuscar o presente e o passado do alvo, perguntam a este e aqueloutro, incham quando descobrem que no liceu teve negativas, e na tropa dias de prisão. Regozija-os em particular a humildade das suas origens, comparam-na com a própria, gente de alto coturno, trisavós que iam a águas em Vichy e tinham estado na Riviera.

Atingido esse ponto, chega a altura de lhes contar a história do general romano, que de tão vitorioso o comparavam a César, e o Senado tinha eleito para membro. Essa excepcional e muito honrosa homenagem caiu mal a um dos senadores que, sendo da aristocracia secular, lembrou ao general que, por muito vitorioso e famoso que fosse, e honras recebesse, permaneceria o descendente de escravos libertos.

- De facto assim é, senador. Mas há entre nós uma grande diferença: a minha aristocracia começa comigo, enquanto que essa atitude demonstra o fim da sua.

 

 

 

sábado, agosto 17

Animação parlamentar

 

 

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sexta-feira, agosto 16

É fazer-lhes um manguito

 

É bom saber agora, porque amanhã será tarde. Aqui

quinta-feira, agosto 15

Prof. Vítor Serrão - dixit, in Facebook

  

«CRAVOS DE RENTES. Que dizer deste 'Cravos e Ferraduras' (Ed. Quetzal) que acaba de saír, da autoria de J. Rentes de Carvalho ? O nonagenário escritor dá-nos um retrato a cru da paisagem portuguesa: vidas sombrias numa província desconhecida, pintadas em histórias breves que fazem doer e ferem como farpas (ah, o derradeiro conto !).
É um livro que só na aparência lembra os contos de 'Os Lindos Braços da Júlia da Farmácia'; estes são menos humorosos, menos piedosos, mais cáusticos... Parecem pedaços saídos de 'O Meças' (livro por alguns mal-amado, mas admirável).
Lemo-los com o prazer de sentir o estilo depurado de Rentes mas com esse amargo crescente que só poucos sabem põr a nu, um amargo que dilacera, conto a conto: mas é mesmo verdade que também somos assim ?
Não, não é um livro para férias (como era o citado), e sim um grande fresco lusitano cheio de turbulências, onde quase todas as personagens escolhidas não merecem mesmo a nossa piedade.
Rentes de Carvalho (n. 1930), cidadão do mundo com raízes transmontanas, continua a ser o romancista de referência, o admirável contador de histórias que só ele sabe dizer em sínteses sem rodeios e em que a simpatia não precisa de estar presente.
Num país de grandes poetas, surge por vezes um enorme escritor: é o caso, mil vezes demonstrado nos últimos trinta anos desde que, de obscuro escritor luso-holandês, passou a ser conhecido e aclamado em Portugal...»

UAU!

 


quarta-feira, agosto 14

A triste realidade

 

 https://observador.pt/opiniao/ignorancia-atlantica-inteligencia-pacifica-kamala-harris-no-paraiso/

segunda-feira, agosto 12

Boa companhia

 

https://olugardalinguaportuguesa.blogs.sapo.pt/nao-morri-resisti-e-regressei-para-494071

Fashionable Portugal

 

Até na macaquice sempre a última moda, como se faz lá fora. Aqui

domingo, agosto 11

Promessas e certezas


Talvez por serem poucas as certezas que tenho, e pouca também a fé que os profetas em mim despertam, sou fraco parceiro em conversas sobre o clima, a qualidade do ar, o leite de aveia, a reciclagem dos farrapos, as vantagens dos painéis solares e o mais que segue.

Fico-me por estes exemplos, pois chamá-los à memória basta para um dispensável azedume. Claro que sei por demais que se devem respeitar as opiniões alheias, mesmo quando parecem estapafúrdias, desafiam a realidade, ou vão de encontro ao que cremos ser a nossa experiência. Tudo bem, pois, desde que não venha mal ao mundo. Mas às vezes é isso que acontece, e aqui valho-me de um artigo no semanário neerlandês EWI, acerca da  economia de Sri Lanka, a antiga Ceilão.

Seguindo a moda, um senhor Rajapaksa ganhou a presidência em 2019, prometendo pôr fim ao uso de pesticidas e adubos químicos, dentro de dez anos a agricultura do país seria totalmente biológica.

Rejubilaram os crentes no mundo inteiro, só que entretanto a realidade não quis participar no festival, e a economia do país aguenta mal os trambolhões. Em cinco anos o preço de alguns produtos correntes, como cenouras e tomates quintuplicou. De exportador de arroz, o Sri Lanka teve de importar quinhentos milhões de euros desse produto essencial. A exportação do chá caiu para o nível mais baixo desde há vinte anos. A inflação, que já era elevada, aumentou mais de cinquenta porcento. Um quarto dos 22 milhões de cingaleses ganha por dia menos de três euros e trinta e cinco cêntimos.

Conclui o autor do artigo com a observação de que os alimentos biológicos interessam os que querem melhorar o planeta, mas esquecem que só com eles não se consegue alimentar um país, quanto mais o mundo.

 

 

sábado, agosto 10

Fedelhos

 

“Não é evidente que bárbaros se encontram à nossa porta, mas vivemos cada dia, quais adolescentes de beicinho trémulo, como Rómulo Augusto, o último imperador romano do Ocidente, pouco mais que um fedelho derrubado por Odoacro e mandado para casa com uma palmada no rabo. Sem limites, criámos um mundo infantil que choraminga, se irrita, atira raivosamente os brinquedos para o chão, pronto para sorrir ao próximo presente, à próxima bugiganga.

Não resta qualquer vestígio de direcção, apenas aquele puro e cego acaso que os Gregos temiam mais do que a guerra: navegar à vista por entre escolhos, uma soma trivial de acontecimentos fortuitos de que ninguém é responsável.

Eis a incapacidade de decidir e, portanto, a submissão definitiva aos caprichos da sorte e do destino: os gregos chamavam Ἀνάγκη (Anánkê) à perda do heroísmo humano, à necessidade de obedecer ao que acontece, sem poder escolher.

A resignação, as dificuldades, as escolhas forçadas têm todas a mesma origem, a ausência de esperança. Quando ela morre, abre espaço à necessidade, à inescapável necessidade de ser e não poder, porque não pode haver futuro para lá do cenário obrigatório; porque, de tão constritos, os limites do espírito ficaram demasiado próximos, e, o sonho, a imaginação, de repente, impossíveis. Na asfixia da necessidade, apenas uma arma pode dispersar ar por galerias vazias – a esperança. Até na tragédia grega pôde viver, ainda que por pouco tempo, a força da esperança, pois apenas ela concede poder aos homens. Sem conceber um futuro, a humanidade não pode agir, ser, porque são as nossas projecções que moldam o presente e a cada balanço do pêndulo que a todos consome, silva no ar a esperança, a última deusa, a nossa última deusa antes do caos.”   AQUI