sábado, maio 20

Porque será?

"Como é possível que alguns ministros capazes, alguns governantes decentes, alguns altos funcionários competentes, alguns deputados honestos e alguns profissionais honrados se deixem enlamear por estes Garotos? Nunca se perceberá a razão pela qual académicos probos, professores dedicados, engenheiros competentes, autarcas responsáveis, sindicalistas empenhados, intelectuais com sentido moral da vida e políticos ciosos do bem comum se deixam envolver nesta história a todos os títulos tão sórdida."

 

(ler aqui: http://sorumbatico.blogspot.com/ )

sexta-feira, maio 19

Sujidade Socialista

 

“Mas esse é apenas um dos lados do poder socialista. Há outro, ligado a esse: é uma cultura política de cinismo, para a qual a luta pelo poder não admite regras nem deve ter limites. Estamos perante um grupo para quem a ocupação do Estado, e o controle de instituições e empresas, da banca à comunicação social, deve ser praticado sem quaisquer escrúpulos. Agem como se a política democrática fosse uma guerra civil, em que vale tudo. A lei? É para os outros. A verdade? O que importa são as “narrativas”. José Sócrates foi a referência desta atitude, mas os que governam desde 2015 são os que governaram com ele.

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Sim, a ultrapassagem do país pelas economias mais pobres da UE ou a imigração dos jovens diplomados são graves. Dão ideia da degradação da economia portuguesa e da baixa de expectativas sob o poder socialista. Mas o modo como os governantes parecem viver num mundo pós-institucional e pós-moral, em que a promiscuidade, o abuso de poder, a irregularidade, e a mentira são normais, não é menos grave. Com a subversão de regras e procedimentos, arruínam a confiança nas instituições, sem a qual não há democracia. Sim, não é exagero: este PS, com ou sem Sócrates, é uma ameaça à democracia. A maior de todas desde 1976.”

Rui Ramos, hoje no OBSERVADOR

terça-feira, maio 16

domingo, maio 14

A cara do falecido

 

Quem pertence aos seus íntimos está habituado a que, quando a ocasião se oferece, o Gonçalo tome o modo do sacerdote que quase chegou a ser, não tivesse uma tarde encontrado a Catarina, irem para o café a falar do tempo e, incapaz de resistir ao feitiço, beijar-lhe castamente a face. Reagiu ela com inesperada febre, e quando já casados fizeram o cálculo, concordaram que o mais certo é ter sido nessa noite que geraram o Carlinhos.

O Carlinhos, que durante dez anos foi a menina dos olhos da família, até ao  amaldiçoado jantar do que deveria ter sido um festivo aniversário. No momento do champanhe, mais bem bebida do que de costume, à Maria José, prima afastada e médica de alguns deles, ocorreu dizer que o miúdo era mesmo a cara chapada do avô materno.

Ó palavra que disseste! Alguns ainda conseguiram uma sombra de sorriso, outros olharam para o tecto, este e aquele fez de conta que levava a taça aos lábios. Mas como por milagre, logo a seguir esqueceu-se o choque e a alegria voltou. A própria Maria José, um momento ostracizada, sentiu que lhe davam palmadinhas nas costas, outros brindavam  com ela de longe, manhosos, piscando o olho de modo cúmplice.

Passou-se isto em tempos ainda não muito distantes, mas que já parecem antigos e atrasados, pois embora tudo então se soubesse, era muito o que por razões variadas se fingia ignorar, ou não merecia mais do que um desinteressado encolher de ombros, poupando-se assim o risco da culpa e as consequências.

Que era garanhão todos o sabiam. Miúda que na fábrica lhe caísse no goto não escapava, e se emprenhasse garantia ele o desmancho. Da Catarina, a filha mais bonita, havia zunzums, e quando casou não foi surpresa ir o seminarista trabalhar na fiação do sogro. O Carlinhos é que não compreende o sorriso dos que lhe dizem que é a cara chapada do avô.

sexta-feira, maio 12

Cruzes, canhoto.

Uns gritam-no, para que o mundo saiba que são da Esquerda. Dizem outros que são da Direita. Há-os do Centro, há os hesitantes, há a massa anónima que manda no voto e a quem os lados interessam muito menos do que o pão-nosso.

Na juventude, com pressa de salvar o mundo, fui da Esquerda, mas tão crítico que os camaradas, erguendo o punho em sinal da cruz, fugiam de mim como da peçonha. Da Direita nunca fui, porque nela, entre os bons, assenta um tipo de gente que me põe a vomitar do corpo e da alma.

Continuo assim a ir sem pertenças, apoios, ou fanatismos, olhando em redor, ora divertido com as carambolas que dão uns e outros, sofrendo de vez em quando com o que não posso remediar.

Ocorre-me isto a propósito de uma entrevista com Jan Fleischhauer, homem da Direita e redactor do muito liberal semanário alemão Der Spiegel. Dessa entrevista retiro estas passagens:

- Porque razão se sente a Esquerda moralmente superior?

- Porque para a Esquerda é essa a única via justa. Que pode haver de melhor do que nos sentirmos moralmente superiores? Nesse sentimento baseia a Esquerda a sua pretensão de não agir para o seu próprio interesse, mas de fazê-lo para o interesse de outros. Um fingimento.

- Porque será que a Esquerda tão dificilmente consegue rir de si própria?

- Porque que luta diariamente contra o Mal. Cada dia pode ser o Dia de Juízo. Há constantemente forças poderosas, como o Capital, que têm por único fito esmagar a Esquerda.

Fleischhauer fazia ainda interessantes considerações sobre como reputados políticos de Esquerda, por exemplo o ex-chanceler Gerhard Schröder e o ex-ministro Joschka Ficher ganham a vida como representantes de poderosos grupos industriais; e outros comentários sobre a contradição das vidas que os líderes esquerdistas levam e aquela que pretendem levar.

Lida a entrevista, pronto me vieram à mente umas quantas figuras de salvadores deste nosso desgraçado país.