sexta-feira, setembro 27
Nótulas (1)
"Usar crianças para fins revolucionários é um crime"
“Como é possível
que o debate sobre o clima se transforme num movimento esquerdista
revolucionário, e por definição religioso? Não é difícil responder a esta
pergunta que muitas vezes me tem sido feita. O debate sobre o clima é
apresentado nos termos de uma catástrofe climática, resultando daí um certo
número de elementos essenciais necessários para o pensamento e a acção
revolucionária:
- A catástrofe
climática atinge a humanidade inteira. Daí deriva um interesse transcendental:
o de que é necessário proteger a humanidade.
- Uma catástrofe
climática é considerada como uma ameaça existencial para a vida: o Apocalipse.
- A catástrofe
climática tem uma base “objectiva e científica”, o que torna legítima a acção
revolucionária.
- A catástrofe
climática exige a emancipação da humanidade, e desta vez também a emancipação
da vida na Terra. Esse objectivo legitima todos os meios possíveis.
Tais elementos só
se encontram em escritos religiosos e nas ideologias revolucionárias modernas. (Mas)
ao contrário das ideologias revolucionárias, as religiões partiam do princípio
que a vida e o destino da humanidade dependiam de Deus, o que elimina o
activismo salvador.
Por sua vez, os revolucionários
acreditam na fazibilidade: com vontade
ou sem ela as pessoas devem aceitar o ideal da revolução. É nossa obrigação tornarmo-nos
em fiéis do clima.
As crianças e os
indivíduos numa posição de fragilidade, ‘os fracos’, são os mais indicados para
se tornarem os porta-estandartes da revolução. Esses, além de não se
encontrarem emocionalmente equilibrados, não dispõem ainda da experiência pessoal
e cognitiva suficiente que lhes permita avaliar a verdade e os valores de uma
revolução.”
(Excerpto de um
longo artigo do Prof. Dr. Afshin Ellian (Teerão, 1966) catedrático de Direito
na Universidade de Leiden, publicado no semanário Elsevier.)
quinta-feira, setembro 26
Bilhetes (100)
(Clique)
Tivesse eu pachorra para contar as andanças em que me meti e a gente que incomodei, para entre 1968 e 1969 tentar entrevistar Pablo Neruda, o poeta chileno que receberia o Nobel da Literatura em 1971. Não tenho pachorra, a ninguém ia interessar, assim evito cair na tentação de aborrecer o semelhante com memórias do tempo em que ia almoçar à “Mimi do Parque Mayer” e lá encontrava Jorge Amado, amigo do peito de Neruda, a trasbordar cordialidade, mas como eu não alinhava com Moscovo nada disposto a meter a cunha que lhe pedia.
Tivesse eu pachorra para contar as andanças em que me meti e a gente que incomodei, para entre 1968 e 1969 tentar entrevistar Pablo Neruda, o poeta chileno que receberia o Nobel da Literatura em 1971. Não tenho pachorra, a ninguém ia interessar, assim evito cair na tentação de aborrecer o semelhante com memórias do tempo em que ia almoçar à “Mimi do Parque Mayer” e lá encontrava Jorge Amado, amigo do peito de Neruda, a trasbordar cordialidade, mas como eu não alinhava com Moscovo nada disposto a meter a cunha que lhe pedia.
Acontece que terminei ontem a leitura da tradução neerlandesa
da autobiografia de Neruda, Confieso que he vivido. Memorias (1974), e alguma
coisa aprendi, entre outras que a cerimónia do Nobel é ensaiada como um
espectáculo de teatro na manhã da entrega do prémio, toda a gente no seu lugar e a
desempenhar o seu papel. Deve ser cómico, porque o fazem com a roupa e a cara
com que depois saem à rua.
quarta-feira, setembro 25
Bilhetes (99)
Eu pecador e tolo me confesso, pois sabendo que sou governado por pinóquios de
todos os sexos, géneros, inclinações e taras, gasto tempo a perguntar-me
como e para onde vai o mundo. Demonstraria mais juízo se me
limitasse à minha rua.
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