domingo, janeiro 12

Vaivém


Já lamuriei, mas que diabo, são horas, dias, semanas, poderá vir a ser de meses, este vaivém de escreve, apaga, escreve, apaga, a enfrentar personagens que recusam ser como desejo, fazer o que lhes mando.
Enfiam apressados por becos que desconheço, fecham-se em salas donde não consigo tirá-los,  dizem parvoíces, embirram, dão-se bem se os quero a dar-se mal. Fictícios de nascença, a tal ponto se mostram rezingões que se diriam mortais, como aqueles conhecidos de quem muito se espera e desagradavelmente nos trocam as voltas.
Enfim, o remédio é persistir, engodá-los com promessas,  esperar que caiam nas ratoeiras que lhes preparo. Mas até agora não caíram, saltam sobre elas, este piscando o olho, muito chico-esperto, aquele virando-me as costas, os femininos, como mulheres de verdade e modernas que baste, prontas no realçar do dedo médio.
E o que eu dias atrás temia, está a acontecer: ressuscitam os que "matei", cheios de promessas e boas intenções. Assim me apareceu esta madrugada o Antoninho Meças, por alcunha o "Antolinho", dizendo que continua a rondar a nora, mas lhe desagradam os meus preparos e também terá de ser outro o ambiente.

sábado, janeiro 11

Sonhou? Paga

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Com a tomada de consciência feminina vão as coisas mal para os homens, mas talvez em parte nenhuma como no Irão, onde os casados se perguntam  em que vespeiro se meteram.
Na última década o número de divórcios aumentou 300%, em Teerão mais de 30% dos casamentos falham dentro de um ano e acabam em divórcio ao fim de cinco.
É facto que se a mulher continua a ser discriminada, sendo-lhe impossível estudar, trabalhar ou viajar sem autorização do marido; a este, por sua vez, quando lhe desagrada a situação e quer divorciar, caem-lhe em cima os mandamentos da Sharia, que considera sagrado o matrimónio e vê na família a pedra angular da sociedade. Prevaricou? Paga. E o pagamento vai de 100 a 1.500 "ducados", cada um deles valendo 350 euros.
As cadeias estão a tal ponto cheias dos que não querem ou não podem com a despesa, que o governo decidiu facilitar o pagamento a prestações.
 

sexta-feira, janeiro 10

O que os olhos não podem ver


"Ask yourself the following: what is it like to be in the reality tunnel of a dolphin, which is capable of "seeing" the fetus in a human womb? What is the reality of a shark like, which is able to perceive the electric aura of a human? What's it like being a snail which can't perceive intervals less than 0.25 second? What about a fly which perceives a second ten times slower than us? What kind of senses is evolution capable of...?
So there you have it. Not only is there more between heaven and earth that meets the eye, but what meets the eye is most likely just a tiny speck of information compared to what there actually is to perceive in our surroundings. Not only is the whole human race incapable of seeing the real and true reality, but we even among our selves live in different realities.
"[...]Every type of bigotry every type of racism, sexism, prejudice, every dogmatic ideology that allows people to kill other people with a clear conscience, every stupid cult, every superstition, written religion, every kind of ignorance in the world all results from not realising that our perceptions are gambles [...]." – 

Robert Anton Wilson (1932-2007) " One of the most profound and important scientific philosophers of this century."

quinta-feira, janeiro 9

John Fowles

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The French Lieutenant's Woman. Li-o em Maio de 1973. Em 1981 Meryl Streep e Jeremy Irons fizeram do filme um clássico. Acabei de relê-lo ontem, e pergunto-me com tristeza e pasmo, como é possível que John Fowles (1926-2005), um dos maiores escritores ingleses do século XX, tenha caído no esquecimento.

terça-feira, janeiro 7

Pimbalhice


Tolice, pimbalhice, parvoíce, lamechice. Os países e os indivíduos sofrem do mesmo, mas como são maiores, nos países nota-se mais e aflige mais.

segunda-feira, janeiro 6

Eusébio


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A minha antipatia por Mário Soares, homem público, data de meados de 1960, tem-se mantido desde então, e não é das que terminam ou esquecem.
Como pessoa representa ele o que aos meus olhos a burguesia portuguesa tem de pior e desprezível. Os seus "elogios" a Eusébio mereciam um pontapé maior do que a que Maria Teixeira Alves aqui lhe dá.