quinta-feira, março 26

No fio da navalha


No passado dia 7 os nossos vizinhos voltaram de uma quinzena de esqui no Tirol e feitas as perguntas do costume, dados os abraços, devolvemos o gato e as plantas que tinham ficado connosco e fomos os quatro jantar num ambiente de amizade e harmonia.
Os dias passaram na rotina costumeira, vendo e ouvindo os perigos que vão pelo mundo, mas felizmente longe da nossa porta e do nosso bairro, até que ontem à tarde um telefonema tudo mudou: o vizinho anunciava estarem ambos infectados com o coronavírus, as autoridades e o pessoal médico iam  chegar, não mexêssemos nem saíssemos de casa.
A equipa que veio fez eficientemente o que tinha a fazer, desinfectou, informou, avisou, aconselhou. Como o seu estado não é urgente, os vizinhos por enquanto ficam em casa. Nós também, e por feliz acaso temos no frigorífico e na despensa comida para quinze dias. Agora é esperar para vermos que sorte nos toca, pois desde o dia 7 o vírus andou à solta dentro e fora de casa, não têm conta as vezes que nós e os vizinhos tocámos nos mesmo fechos e nos mesmos corrimões, abrimos a porta da rua ou a da garagem. Medo não temos, nem preocupação por aí além, será o que tiver de ser.