quarta-feira, março 25

Seleccionado

 Pode ser uma imagem de texto que diz "0 Selecções 2026 MENSAL/ABRIL2026 READERS DIGEST 0 escritor da Alma Portuguesa RENTES DE CARVALHO 96 ANOS DE BOAS MEMORIAS! PÁG. 58 CHINA Viver em casal na estrada PÁG. 82 CIÊNCIA Comoainteligência Como artificial estáa salvar vidas PÁG. 102 DRAMA DA VIDA REAL Quando ocão salvou skaterde 13 anos PÁG. 130 স 13 FACTOS SOBREO DIA DIADAS DAS MENTIRAS PÁG. 38 00660 607727 004301 4,25€ IVA INCLUIDO"

segunda-feira, março 23

Sempre culpado

 

https://observador.pt/opiniao/quando-falta-analise-sai-um-lobby-judaico-para-a-mesa/ 

domingo, março 22

A viola no saco

 

Nunca teve muitos praticantes, a bela arte de meter a viola no saco. Corrente é o tirá-la de lá e dedilhar, ora inconveniências, ora asneiras, sem cuidado nem preocupação de se interrogarem se o outro é servido.

Quando estou de melhor humor digo-me que deve ser do tempo, ou porque anda a Lua em quarto minguante, noutras ocasiões oiço calado e tomo depois uma aspirina.

De momento parece que os atraio, os impertinentes que começam por um elogio chocho e me explicam então que, no texto tal, eu deveria ter eliminado o segundo parágrafo, "porque ficava muito melhor." Lamentam também a secura e o laconismo do que escrevo, inquirindo com ar fino se será por estar "há tantos anos lá fora." Muito proveito tiraria eu, dizem, se lesse a prosa de X, autor de dois belos romances e uma antologia poética.

Aí já não dedilham. À desgarrada e em ré maior desatam a cantar o talento de X, "que esse sim, esse é que merecia o Nobel!" Hão-de me trazer o primeiro livro dele, e vou ver "como é que se escreve."

Quem nesses momentos me vir sorridente, silencioso, a dizer que sim com a cabeça, saiba que estou a invocar a divindade, solicitando ao Altíssimo que a paciência com que sofro seja tomada em desconto dos meus muitos pecados.

 

sábado, março 21

O Senhor nos valha

 Democracia, liberdade, igualdade, são ilusões num país onde o Estado dá esmolas e a máquina do governo pertence a uns quantos políticos e banqueiros que, com espertezas de quadrilha, se apoderaram da faca e do queijo.

Mas um país que estende a mão à esmola do Estado, e tem por sonho maior a reforma, também não saberia que fazer com a liberdade e a igualdade, as verdadeiras, as que se ganham à custa de espírito cívico, diligência e responsabilidade social.

De modo que por vezes, o que melhor sintetiza a imagem de um povo é o falso mendigo à porta da igreja, pedindo "pelas alminhas de quem lá tem", ao mesmo tempo que, contente da finura, pisca o olho ao comparsa.

O Senhor nos valha.

 

quinta-feira, março 19

Para que não esqueças

 https://blasfemias.net/2026/03/18/estado-de-emergencia-in-memoriam/

terça-feira, março 17

Desafinação

Ernest Hemingway, William Saroyan. Importantes na minha adolescência, com os anos foram perdendo o brilho e hoje são apenas figuras vagas no pano de fundo das leituras que se recordam.

Pessoalmente eram ambos sujeitos truculentos, desagradáveis no contacto e em extremo cheios de si próprios. Odiavam-se. Se por acaso se encontravam num bar, dava porrada, e Saroyan, fraco dos músculos, cobarde por natureza, deitava a fugir.

Por vezes a zaragata continuava nos jornais, donde tiro esta frase de Hemingway: :" Mr. Saroyan… You are bright. But you are not that bright, Mr. Saroyan… Also your ear isn't so good. And a good ear in a writer is like a good left hand in a fighter".

É aqui que eu queria chegar: prosa vazia de sentido já é mau; prosa desafinada é pior; vazia e desafinada é lixo.

 

sábado, março 14

Solidão

 

São essas horas as de maior perigo, quando o sentimento de solidão te empurra para o negrume das perguntas sem sentido e das respostas sem nexo. Quando passam e repassam conversas,  rostos, farrapos de memória, desilusões, aborrecimentos, e instante nenhum recorda uma memória alegre, um sorriso franco, um raio de luz que dê esperança.

Um escuro assim é a antecâmara da solidão, a genuína. Invisível para os mais, todo-poderosa e refinada, algoz que te transforma no que nunca imaginaste vir a ser: um l'homme qui rit.

Dizemos por vezes à ligeira: sinto-me só, mas quando a verdadeira solidão nos possui, força nenhuma é capaz de livrar da mordaça ou abrir a camisa-de-forças.