quinta-feira, outubro 29

Efeméride

Ao longo dos treze anos que o mantenho este blog tem-me sido útil de várias maneiras, sendo a de válvula de escape, se não a mais útil por certo uma das principais. Em primeiro lugar, contudo, está a alegria e também a perplexidade de ver realizado um sonho de criança, o de ter o meu próprio "jornal", o que nas horas de bom senso me parecia tão estapafúrdio como sonhar com o poder da levitação ou da ubiquidade.

Embora até à data esses me tenham sido negados, encontro satisfação bastante no que aqui vou deixando e, lisonjeiras ou não, nas reacções de quem por vezes o lê.

Por volta do segundo ano surpreendeu-me que tivesse uns duzentos seguidores, o que faria rir Kim Kardashian, mas me pareceu mais que honroso. Não recordo quanto tempo demorou a chegar aos trezentos, mas foi nessa altura que me pareceu simpático assinalar a efeméride, oferecendo um livro ao seguidor que fizesse a centena, o que desde então tem acontecido.

Ontem à noite completaram-se setecentos, e ao para mim desconhecido Vladimiro Mousinho basta enviar um endereço postal para jrentes@xs4all.nl e receberá o livro pelo correio.

quarta-feira, outubro 28

Hitler reincarnou

Adolf Hitler está aí, mostra que estudou e refletiu, chega bem preparado, agora quer mais, melhor, o topo da eficiência. Não se vai contentar com uma nação como da vez anterior, quer o mundo inteiro, e se não sonha com mais é porque ainda não há maneira de sair do planeta.

Estudou Cristo e Maomé, mas com ele não haverá sermões aos pescadores nem conversa amena junto da tenda com os nómadas do deserto. Aos métodos da Inquisição deu uma vista de olhos, mas logo passou a Estaline e a Mao Tse Tung, depois do que analisou a sua própria intervenção na Alemanha, submetendo-se a uma severa autocrítica, concluindo que além de ter sido moderado na ambição os seus planos se mostraram caros, ineficientes e desastrosos, razões de sobra para uma abordagem bem estudada e original.

Em parte nenhuma o verão ou se lhe ouvirá o nome, a idade, onde nasceu, nem de que pais, como também não vai repetir a patetice do braço estendido, da suástica nas bandeiras, do passo de ganso nas paradas. Estará presente em tudo e em todos os recantos, mas refinou de tal modo a arte de delegar que será uma sombra, ninguém lhe apontará o dedo.

Nas raras vezes em que nisso pensa lamenta a ineficiência de algumas das medidas que tomou durante a reincarnação anterior (1889-1945), certo e seguro que tal não voltará a acontecer, como também não cometerá o erro grosseiro de querer eliminar um povo, quando a ambição de um tirano digno desse nome exige outra escala. Ninguém voltará a ver campos de concentração, medida que além de cara e ineficaz continua a macular o seu nome, quando está provado que basta o medo e a carneirada vai pelo seu pé direitinha para onde lhe mandarem e de lá não arreda. Outra bacoquice de que se arrepende, a de ter obrigado os judeus a usar uma estrela amarela, agora que está provado que no rebanho as ovelhas nem precisam de ukase para se diferenciar, elas próprias se alegram com a distinção da máscara.

Do que Adolf Hitler nesta sua reincarnação superiormente se orgulha e regozija é da aplicação que soube dar ao medo e da eficiência da estratégia. Não tem que fazer despesas com instalações de exterminação caras, ineficientes, e de má fama: diga-se-lhes que o vírus anda por aí à solta e os que não morrerem da infecção morrerão de medo e mais depressa ainda das doenças não tratadas e das consequências da grande miséria que a todos espera.

PS. A propósito de miséria parece que nos corredores da União Europeia nem tudo é paz e sossego. A perspectiva de os "repugnantes" terem de apertar mais o cinto do que em Março passado estava previsto, e o facto dos respectivos cidadãos olharem com azedume para ideia de sofrerem maiores impostos para pagarem a corrupção e a bandalheira, põe em risco a generosidade forçada. O dedo já não está no gatilho da "bazuca" e aquele a quem com razão alcunharam o "Manhoso" tem razões de sobra para noites em branco.

 

terça-feira, outubro 27

"A Morte da Competência"

Comecei a lê-lo há-de haver ano e meio, mas recordando as minhas décadas a pregar aos peixes na Universidade de Amsterdam, e a fintar a pulhice de alguns colegas, parei no final do capítulo intitulado "Ensino superior: o cliente tem sempre razão", dando graças à reforma que a tempo me tirou do que já era um purgatório, mas longe do inferno em que se tornou. Li-o agora do princípio ao fim. Chapeau! Tom Nichols.


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