terça-feira, outubro 8

Nótulas (8)


Sobre o meu avô paterno escrevi em Ernestina:
“Deixou fama como caçador. O resto que sei catei-o em papéis soltos, ou nos cadernos de papel esverdeado e pautado que ainda guardo e que ele usava para anotações.
No topo de cada página lê-se em maiúsculas: «Alfândega do Porto». Na margem esquerda, numa linha vertical: «Remessa de documentos para a sede». Com a sua mão a guiar o meu dedo, foram essas as primeiras palavras que me ensinou a soletrar. “
O acaso fez-me descobrir ontem um desses cadernos em que por volta dos doze anos comecei a escrever histórias, e só os que não conheceram esse tempo acharão estranho que se lhes diga que o papel era coisa rara e cara, muito poucas as casas onde o havia.

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