quinta-feira, novembro 17

Adeusinho

 

São boa gente, os meus vizinhos. Boa, porque não me causam transtornos nem aborrecimentos, talvez também por serem poucos os que conheço. Nos trinta apartamentos do prédio há de tudo: um dermatologista, um mecânico, uma muito atraente call-girl romena, que ora vai de mota Guzzi ou Porsche Carrera, uma mãe solteira acupuncturista, um funcionário público, um engenheiro, um comerciante nigeriano, um rapper... Damo-nos os bons-dias, sorrimos, às vezes falamos do tempo, e vai cada à sua vida.

Detalhe aborrecido, esta gente que não poderia ser mais corrente no aspecto, nem mais cordata no modo, mostra uma estranha preferência por um certo tipo de cão. Passeiam eles no parque vizinho com pittbulls, dobberman pinschers, rottweilers, dogues argentinos, filas brasileiros, ridgebacks...

Eu, com um perdigueiro e um vira-lata do tamanho de um gato, mantenho boa distância, e se os vejo vir direitos a mim, aceno um adeusinho e caminho na direcção oposta.