sexta-feira, agosto 8

O relógio

 

A minha vida guarda uma quantidade impressionante de recordações, misturando-se nelas os ambientes, os casos, as figuras mais estranhas e variadas. Entretenho-me a reviver momentos, dores, alegrias, deixo que o filme passe, repasse, repasse. Descubro-me fraco advogado das certezas que tive, consigo sorrir de por vezes ter sido de uma ingenuidade que se espera própria das crianças ou dos tontos, espanto-me de que tenha escapado a tantas rasteiras.

Sim, valeu a pena, foi mais colorida e variada do que esperava, ou teria ousado sonhar. De modo que, sem outro afazer, entretenho-me na longa espera que é descobrir uma nova dimensão do tempo: a de que ele não é o do relógio.

 

domingo, agosto 3

Língua moribunda

 

O Português que agora se escreve e fala, é para mim como que um dialecto de curioso vocabulário, peculiar na gramática, bizarro na conjugação dos verbos, pendurado em brasileirismos, ridículo pela ânsia de se querer e julgar modernaço. Triste destino para uma língua que foi rica e bela. 

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Título no CM de hoje:

Estudante de engenharia lavou a cabeça depois de decapitar em Lisboa

 

 

sábado, agosto 2

"A guerra perdida de Israel"

 https://sorumbatico.blogspot.com/

Curzio Malaparte

 

Vale muito a pena ler. Um escritor injustamente esquecido, por ser considerado ter estado do lado mau.

https://sol.sapo.pt/2025/07/31/curzio-malaparte-o-cronista-enquanto-predador/ 

sexta-feira, agosto 1

Eles e o fígado

 

É nas horas de perigo e aflição que melhor se conhecem os que, dando-nos quase passados para a Eternidade, escondem a inveja, o ódio, e a pobreza do próprio intelecto, debitando frases de uma tão transparente hipocrisia, que não somente se lhes perdoa o terem nascido assim, mas deseja que o Altíssimo, apiedado, os mantenha na ilusão de que o seu talento é de uma desmesura que o vulgo nem em sonhos consegue avaliar.

Daí resultam as suas permanentes crises de bílis e o amarelado das faces.