quarta-feira, junho 10

Happy End, quase


Começou com tristeza aqui e, porque não se deixa à sua má sorte um animal a quem nos afeiçoámos, à medida que o tempo passava ia o desespero aumentando. Mas, como nos filmes de antigamente, o happy end está quase a chegar, porque a nossa jovem amiga Inês se apiedou dele e de nós. Bondosa, tirou um dia de folga, e fez as mais de três centenas de quilómetros para o levar para o conforto e o carinho do hvbv de Águeda, onde é veterinária.

Da fome e das misérias que sofreu começa a recuperar e, se alguém aprecia num cão qualidades de carinho, bondade, obediência e coragem, o Bully, mais dia menos dia, daqui a um mês pode ser adoptado.

Nós, que lhe queremos bem, mas infelizmente o não podemos acolher, garantimos visitá-lo com a frequência que se espera dos amigos. E para os amigos a distância não conta.




segunda-feira, junho 8

Enfermeira dos cães

Era aquele tipo de conversa que se tem com os amigos ao almoço de domingo e eu, porque vinha a propósito, lembrei o caso de que tempos atrás falei aqui. Houve risos, e um dos presentes contou como, dias antes, tinha perguntado a uma rapariga sua conhecida o que andava a estudar.

- Ando a estudar para enfermeira dos cães – respondeu a moça.

Olhámo-nos embasbacados. Sendo todos de idade provecta, concluímos que não é só o conhecido fosso entre as gerações que nos dificulta o funcionamento, mas que o mundo vai a um ritmo difícil de acompanhar, pois nele tudo são especialismos e novidades.

- Mas então há enfermeiras para os cães?

O mais novo dentre nós sacou do seu Blackberry, e não querem ver que a profissão, além de existir, tem nomes sonoros e Bolonha?

"Enfermeiras Veterinárias, finalistas das licenciatura em Enfermagem Veterinária, técnicos auxiliares de veterinária…" Abriu-se-nos a todos a boca.

domingo, junho 7

Questão de fé

Diz-nos Eduardo Pitta aqui:

"Eu, naturalmente, voto PS. Não tem mistério nenhum. Foi o Partido Socialista que fundou a democracia portuguesa (nunca o agradeceremos convenientemente a Mário Soares) e foi ainda o Partido Socialista que nos meteu na Europa."

Também há quem agradeça a democracia portuguesa a Nossa Senhora de Fátima. É questão de fé e de escolha do santinho. Agora que o Partido Socialista nos tenha metido na Europa… Parece-me que Eduardo Pitta ganharia em ser mais comedido nas loas, pois de certeza também sabe que Portugal não foi metido na Europa, mas arrastado para ela, porque o seu atraso e pobreza perturbavam o andamento da construção e os interesses de nuestros hermanos.

sábado, junho 6

A Aspirina

É como num teatro. Sorridente, vem a acenar com uma casca de árvore:

- Ora diga-me lá o que é isto.

- É uma casca de árvore.

- Muito bem. Mas de qual? De que árvore é que será esta casca?

Não se lhe leva a mal o modo enfático, nem a cansativa repetição do "Sou autodidacta, mas posso pedir meças a muito doutor que anda por ai!"

Foi camionista em Moçambique, depois empresário, salvou-se a tempo e vive dos rendimentos.

Entrega-me a casca:

- Pegue-lhe. Estou a ver que não sabe. Nem o que é, nem para o que serve. E estudou! Olhe que eu posso ser um autodidacta, mas peço meças a muito doutor! Então?

- De árvores entendo pouco.

- Pois isto é casca de salgueiro. Com esta casca já os gregos da antiguidade faziam chá para as dores de cabeça! Foi daqui, tome nota, foi daqui que saiu a Aspirina! Mas quem inventou a Aspirina?

- Procurando no Google…

- Google coisa nenhuma! A Aspirina foi descoberta em 1897 por um químico alemão, Felix Hoffmann! E eu tive a honra de conhecer o neto desse senhor. Tive a honra de o ouvir contar como o avô…


Ai que lá vem a muito repetida história! Salva-me a carrinha dos CTT. O jovial senhor Afonso abre a janela, diz que traz um registo e é preciso assinar.

segunda-feira, junho 1

Inveja



O mundo sempre rodou de maneira a dar-me a ideia de que me puseram nele por acidente. No correr dos anos veio juntar-se a essa ideia..."
Assim comecei eu esta manhã a filosofar, mas depois emperrou-se-me o raciocínio e a escrita, foi preciso uma verdadeira lavagem do cérebro para compreender e aceitar a inveja que me assaltou ontem perante o espírito empreendedor desta jovem holandesa.
Zoë Vialet tem vinte e seis anos, licenciou-se em Sociologia, é pin-up, e acaba de encontrar um nicho no difícil mercado do escort service(*). Naquele que acaba de fundar, e o negócio vai de vento em popa, aceita também as senhoras que desejem ser escort girl apenas uma vez.
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(*) Serviço de escolta desagrada como tradução, já que a coisa aqui nada tem de militar.
A fotografia é de Hilbert Krane.