São inúmeras as razões para uma desavença em família, mas em geral falta-lhes originalidade, é quase sempre a velha história de amuos, diferenças de carácter, de interesses, questões de dinheiro, heranças, partilhas, opiniões contrárias, coisas dessas.
A que me contou ontem um jovem recém-casado, de certo modo escapa à lista habitual.
Discutia-se ao jantar sobre o nome do bebé que vai nascer em Dezembro.
É rapaz e os presentes facilmente chegaram a um consenso. Falou-se depois de enxovais e fraldas, parteiras, chupetas, rememorou-se a infância do jovem casal, até que no meio disso tudo o pai da noiva pediu que ouvissem. Professor de Matemática e obcecado pelo planeamento, determinava ele que logo após o nascimento se contratasse uma empregada chinesa para atender a criança.
Pasmo geral. Que razão havia para, no meio da mais holandesa das famílias, implantar uma empregada exótica?
Razão e boa, como explicou: - Os chineses estão a dominar o mundo. Vêm aí. Um puto que fale mandarim tem uma enorme vantagem!
De seguida, claro, foi cada cabeça sua sentença, o que tinha começado com serenidade acabou em guerra, cortaram relações uns com os outros.
Agora pedia ele que lhe dissesse o que pensava da atitude do sogro. Não disse, nem sequer lhe confessei a inveja que tenho de quem sabe planear.




