quarta-feira, maio 25

Na mó de baixo

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Muitos receiam encontrar-se na mó de baixo, pelo que dão prova de que ainda têm bastante caminho a andar até descobrirem as vantagens dessa situação.
Pouco há de tão revelador como o rosto dos que nos vêm confortar, aquele modo de quem deita esmola a um pobre, o reforço do testemunho de solidariedade alcançando o ponto em que comédia da hipocrisia obriga as partes a um sorriso que nunca mais acaba.
Estar na mó de baixo oferece também a vantagem de, ao fazer a contagem de espingardas, nos descobrirmos sozinhos na trincheira. O que por veze assusta, mas é tudo questão de aguentar firme e fazer mantra do consagrado "não há bem que sempre dure, nem mal que nunca acabe."
Infelizmente, ter paciência é arte de dura e longa aprendizagem.
……..
Sem intenção de trocadilho, isto da mó de baixo é assunto que em mim costuma vir ao de cima.

terça-feira, maio 24

Enganos

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Dói a perda, a desilusão, dói o engano, e pouco vale a chamada experiência da vida, porque em cada desaire há sempre uma ponta de diferença e novidade,  suspense, nada prepara para a rasteira, a cacetada vem donde pareceria irracional esperá-la.
Cacetada é modo de dizer, os revezes que magoam fundo e deixam cicatriz, os que nem os anos apagam, esses distinguem-se pela subtileza, o inesperado dos golpes de florete. E fosse outro a sofrê-los, poderia ser caso para admiração, porque também na maldade há requinte.

sábado, maio 21

Que te parece?

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A paz de espírito alcança-se? Ganha-se? Merece-se? Compra-se? É dádiva?

sexta-feira, maio 20

Para que conste

"I’ve learned that Portuguese is the sexiest of the romance languages"

Com um abraço à Fernanda, a amiga cúmplice, que antes do dito acontecer me mostrou muito do que iria ser o 25 de Abril. Sempre grato por isso e pelo mais que lá de Toronto manda.

quinta-feira, maio 19

Recomendações

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Recomendaste, deixei-me levar pela amizade e entusiasmo, esqueci que nos separa mais de meio século, que em matéria de música fiquei pelos Beatles e Aznavour, que nunca leste Graham Greene, Maupassant, nem sequer As Pupilas do Senhor Reitor ou John, o chauffeur russo, e fiz então na Wook a encomenda do cinco vezes estrelado livro da senhora.
Deitei-me à leitura, surpreso de que Max du Veuzit esteja de volta,  perguntando-me que raio vês tu, e muitas muitas dezenas de milhar doutros, onde eu pasmo com a banalidade, a mediocridade da escrita e do sentir, aquelas confissões de adolescente pateta, mais o folclore da tão pitoresca pobreza.
Não estou zangado nem azedo, só triste. E da próxima vez que me recomendares um livro voltarei a lê-lo, com pouca esperança de que me agrade, apenas interessado em te conhecer melhor.

quarta-feira, maio 18

Guia de Amsterdam


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Vinha com a Sábado  da semana passada. Contribuí umas poucas páginas, mas posso dizê-lo com franqueza: é um excelente guia de Amsterdam.

terça-feira, maio 17

Blogues e diários

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A sério ou não, o blogue para mim é conversa, conversa imaginária. Fantasio interlocutores num café virtual, suponho neles qualidades de sabedoria, cultura,  inteligência, e uma atenção educada. Resumindo: um passatempo inócuo,  maneira de me imaginar no mundo, participando sem agravos nem aborrecimentos, de facto com mentalidade nada diferente da que, em criança, me levava a revolver os cobertores da cama, fantasiando a imponência dos Alpes.
Um diário é outra coisa. Entram nele dores e confissões, os momentos de paz, mas também as horas de raiva, os desesperos da impotência de nada poder consertar do que está errado, torto e retorcido, injusto. Para mim, escrever um diário fere mais do que alivia, porque intento, sem que me poupe, deixar nele o mais que consigo atingir de sinceridade no expor das minhas falhas.
Talvez pareça vislumbrar-se aí algo de ascese e depuração, mas o que de facto lá deixo são dolorosos ajustes de contas comigo mesmo. Fi-lo com Tempo Contado (1994-1995) e, uma segunda vez com Pó, Cinza & Recordações (1999-2000).
Anteontem comecei o que deve ser o último, pois por muito interessante. movimentada e surpreendente que uma vida seja – a minha tem sido – chegam sempre os momentos de inevitável fastio, o enfarte do déjà vu.