quinta-feira, Novembro 27

A História


"… a História é uma lição moral. Nos vícios e nas virtudes, nos erros e nos acertos, na perversidade e na nobreza dos indivíduos que foram, há um exemplo excelente. Na sabedoria ou na loucura dos actos políticos e administrativos passados, há um meio de prevenir e encaminhar a direcção dos actos futuros. A História é, nesse sentido, a grande mestra da vida.
Se os vícios, os erros, o crime e a loucura predominam sobre as virtudes, os acertos, a nobreza e a sabedoria dos homens, como sem dúvida predominam, iremos por isso condenar a História por perniciosa? Não, decerto. Apresentar crua e realmente a verdade é o melhor modo de educar, se reconhecemos no homem uma fibra íntima de aspirações ideais e justas, sempre viva, embora mais ou menos obliterada. Conhecer-se a si próprio foi, desde a mais remota Antiguidade, a principal condição da virtude."
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in  História de Portugal – Oliveira Martins

quarta-feira, Novembro 26

Será?


Será possível que eu, há muito desesperado da melhoria da Pátria, vislumbre uma luzinha de esperança?
Será possível que, algumas vezes injustamente tratado pelo fisco, me veja a desejar  prosperidade e continuação de bom trabalho à Autoridade Tributária e Aduaneira?
Será possível que haja em Portugal mais juízes incorruptos do que geralmente , e com razão bastante, se pensa?
Será possível que, nos escassos anos que me restam, me seja ainda dado viver no Portugal com que  sempre sonhei?

domingo, Novembro 23

À espera (5A)



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É triste o júbilo dos que apontam o dedo. Triste é também a cegueira dos crentes, que vêem êxitos e melhorias onde só houve bancarrota e miséria. Vergonhosa a atitude dos pobres de espírito que julgam chegada a hora do ajuste de contas e afiam as navalhas, nós a ganhar, eles a perder. Doloroso momento para aqueles que só se sentem vivos quando se espelham em heróis, estrelas e campeões.
Talvez o povo português mereça as figuras que o governam, as camarilhas de lacaios, e tenha descido tão baixo na sua auto-estima a ponto de aceitar que haja nele "donos disto tudo", e espere milagres.
Esses, porém, só em Fátima acontecem. Numa sociedade não há milagres, já nem sequer revoluções: só pequeninos passos que dão réstias de esperança de que um dia o país deixe de ser a mina de ouro de uns quantos, e venha a ser de todos.

À espera (5)

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sábado, Novembro 22

À espera (4A)


Mais cego é o que não quer ver.

Da Bíblia – São João 9,39.40
Jesus declarou: "Eu vim a este mundo para proceder a um juízo: de modo que os que não vêem vejam, e os que vêem fiquem cegos."
Alguns fariseus que estavam com Ele ouviram isto e perguntaram-lhe: "Porventura nós também somos cegos?" Jesus respondeu-lhes: "Se fôsseis cegos, não estaríeis em pecado; mas, como dizeis que vedes, o vosso pecado permanece."

À espera (4)

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sexta-feira, Novembro 21

À espera (3)

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quinta-feira, Novembro 20

À espera (2)

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quarta-feira, Novembro 19

À espera (1)

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terça-feira, Novembro 18

Waiting for Godot

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sexta-feira, Outubro 3

Diferenças

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Desde que o descobri, o site neerlandês www.925.nl é para mim leitura diária; pela informação que em parte nenhuma encontro; pela ironia com que lá tratam coisas muito sérias; pelos detalhes que por vezes dão ideia que ali se ajustam contas e abrem janelas que permitem dar uma vista de olhos nalguns interessantes bastidores da política internacional e do mundo dos negócios.

Portugal aparece de vez em quando. Já por lá segui, com detalhes que a imprensa portuguesa parece ignorar, as andanças do GES, da PT, de gente nossa,  angolana e brasileira, não só com nome e posição, mas também a morada holandesa das suas companhias e os balanços  que legalmente são obrigados a apresentar.
No meio de tudo isso, porém, e com suficiente humor, fala-se de luxos e extravagâncias, e foi assim que dias atrás dei lá com Richard Branson a fazer ski aquático; soube que Putin ganha por mês o equivalente de 102.660 dóalres, possui uma fortuna avaliada em 70 mil milhões de euros, uma colecção de relógios duns 700.000, e nessa coleção um Tourbograph que lhe custou meio milhão na mesma moeda.
 

Vim também a saber que o sultão do Brunei possui 6 dos únicos 7 Ferrari Venice Station  existentes, cada um deles valendo 1.5 milhão. Esse soberano tem ainda na garagem uns 6.994 outros carros de grande luxo e preço, para rodar nos 126 km da única autoestrada da sua ilha.
Entre os imensamente ricos não fica atrás o califa de Abu Dhabi, que não somente é dono do Burj Khalifa, o edifício mais alto do mundo, mas por 650 milhões de US$ mandou construir nos estaleiros Lürssen, de Bremen, o maior dos iates privados que navegam os oceanos, o Azzam, que com os seus 180 m. de comprido deixa atrás muito navio de cruzeiro.
O acaso ditou isto, não era minha intenção procurar o contraste. Estava a ler as interessantes coisas do www.925.nl quando recebi um mail de um jovem amigo holandês que, anos atrás, com coragem e forte espírito empreendedor, emigrou para Mumbai e lá fundou uma companhia de internet, especializando-se na feitura de programas especiais para a indústria cinematográfica. Começou com dois computadores, duas mesas e dois programadores. Ao fim de três anos tem vinte programadores em dois andares, chofer, criadas e duas amas para os bebés.
Uma coisa sinceramente o aflige quando vai para o trabalho: os pobres que, deitados no passeio, lhe dificultam a entrada no prédio. O que ele acabava de descobrir, e no mail me queria contar, era que os infelizes que dormem no passeio não o fazem de graça, têm de pagar umas quantas rupias ao manager do passeio, em geral um ou outro que nessa rua tem loja.
 

quinta-feira, Outubro 2

Sacos Hermès e ferraduras de prata

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É previsível, monótono, pendular: na proximidade do assalto à manjedoura começam os revelações, os escândalos, os dedos a apontar para os do outro lado, partido, camarilha, seja o que for. Os outros são os pulhas sem vergonha, nós os bons e capazes salvadores da Pátria.
Mas o acervo de pulhices, trafulhices,  o lavar de roupa suja, só põe de boca aberta os simples, os que desconhecem a sociedade em que vivem, os que acham cansativo estudar a interessante, e tantas vezes tristemente cómica, História de Portugal.  Escândalos pequenos e grandes, roubalheiras grandes e descomunais, corrupção que nem na Bulgária ou no Congo, tudo nela cansativamente se repete.
Contam-nos agora as peripécias do casal que fez isto e aquilo,  tem isto e mais aquilo, e a impressão que guardo é a do cansaço de tantas vezes ouvir o mesmo disco.
Tem a senhora um quarto de milhão de euros em roupas no guarda-fatos? Muitos sacos Hermès a onze mil euros a peça? Nunca gasta menos de quatrocentos no cabeleireiro? Regala-se o casal com pequenos-almoços de mil e quinhentos euros (ou serão dólares)?
Que importa? O que é que de facto mudou na nossa sociedade? O escândalo do casal em questão, os escândalos anteriores e futuros, os que nos contam e os que ignoramos, não nos virão em linha directa, mas herdámo-los dos antepassados, que quando vieram ricos da Índia imitaram Nero, ferrando de prata as suas mulas; andaram depois dois séculos de mão estendida esmolando aqui e ali; voltaram às ferraduras de prata quando lhes chegou o ouro do Brasil.
Seguiram-se outros dois séculos de penúria e vergonha, até que nos aproximaram a teta que o senhor Mário Soares aconselhou a chuparmos ao máximo.
Os que estão perto dela de novo ferram de prata as suas mulas, ou o moderno equivalente. Os outros terão de esperar vez. Onde está a novidade? Qual é a surpresa?