quinta-feira, fevereiro 11

Selos

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Parece que existe há dois ou três anos, talvez mais, mas para mim ontem foi  novidade: recebi uma carta e, para meu grande pasmo – primeiro julguei que  fosse brincadeira – o selo mostrava o rosto de um amigo que, sei-o desde que o conheço, é pessoa que em nada se distingue na cinzenta maioria que somos. Mas então com cara num selo? Mas então o selo dos correios não era para homenagear reis, heróis, prémios Nobel, proezas altas como os Descobrimentos? Era, já não é. Por € 9.95, e colocando a sua ou outra cara no programa adequado, Post.nl , os correios neerlandeses mandam-lhe de volta 10 selos válidos para franquear cartas.
E eu que, miúdo, me pasmava de ver selos com a figura de Vasco da Gama, de Camões, de Pasteur! Onde vai isso?  

quarta-feira, fevereiro 10

Notícias

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"O português Luís Nobre (49) foi condenado na Inglaterra a catorze anos de prisão por ter burlado a empresa neerlandesa Allseas em 100 milhões de euros.
O burlão apresentava-se como um investidor imensamente rico, com relações no Vaticano e na aristocracia espanhola. A polícia descobriu documentos falsos que "provavam" ter o português acesso a contas bancárias com biliões de euros.
Da burla foram recuperados cerca de 88 milhões, o restante parece ter sido gasto para financiar o luxuoso estilo de vida de Nobre, a sua preferência por hotéis de cinco estrelas e fatos caros. "
Uma cúmplice saberá mais tarde a que pena foi condenada. Um terceiro suspeito faleceu antes de começar o processo."
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"No porto de Gdansk, na Polónia, com a aprovação da Comissão Europeia, trabalham desde 2002 centenas de trabalhadores norte-coreanos, contribuindo para uma concorrência desleal de Gdansk com os outros portos do Báltico. A Comissão Europeia aprovou o apoio estatal ao porto, nunca questionando a presença dos "escravos" norte-coreanos. Calcula-se que neste momento trabalhem em Gdansk cerca de 800 norte-coreanos, situação a que o secretário de estado do trabalho diz que nada há a fazer.
Os trabalhadores são transportados pela Air Koryo  da Coreia do Norte para Moscovo e daí para a Polónia.
Do salário que lhes é pago 90% é transferido para a conta do do estado norte-coreano na Suíça. Calcula-se que a exploração de 50.000 a 100.000 norte-coreanos que, além da Polónia, trabalham em Angola, no Koweit e Qatar, rende anualmente 1,5 bilião de euros à Coreia do Norte."
…………….
Notícias extraídas de: NU.nl e 925.nl. Relatórios: aqui e aqui.

terça-feira, fevereiro 9

Vénias

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Reverentes, mostrando uma conjunção de sensibilidades, eles falam da Agustina, da Sofia, do Hélder, e quem como eu está de fora maravilha-se com essa fineza do tratamento.
É facto que nem todos os nomes próprios se prestam à veneração, os corriqueiros como José ou Miguel simplesmente desaparecem, temos então o Saramago, o Torga, o Eça, indicando uma subtil diferença de grau de apreço e intimidade.
Com gostosa malícia recordo o caso do amigo que, anos atrás, na Feira do Livro de Frankfurt se viu à conversa num grupo de gente dessa, onde se encontrava também Agustina Bessa-Luís. Habituado a outras latitudes e outras formas de respeito, achou ele bem dirigir-se à festejada tratando-a por "Dona Agustina".
Foi um pandemónio na comitiva. Dona Agustina! Que estupidez! Ignorava o bruto que não era assim que se dizia? Que era sempre e só Agustina?
O pobre diz que enfiou, acrescentando que evita contar o caso, porque lhe apontam que, de verdade,  dizer Dona Agustina é falta de respeito.

segunda-feira, fevereiro 8

Bilhete

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Querida Teresa,
Aquilo de o sujeito ser "o maior" é uma ingenuidade, opinião de inocente que tem pouca consciência das coisas do mundo. Ninguém é "o maior", quanto mais não fosse senão pela probabilidade de na Amazónia ou na Cochinchina também haver desses.
Que recorde, um que garantia ser "o maior" era o muito chorado Muhammad Ali, e como ele gostava de repetir: "Para seres um grande campeão deves acreditar que és o melhor. Se o não fores, faz de conta".
Isso era no boxe, mas vale para os literatos, os taxistas, os psicólogos e os graduados da GNR.
Beijinhos.

sábado, fevereiro 6

O Meças

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Julguei que iria demorar, e fui descobri-lo aqui.

quinta-feira, fevereiro 4

Livrai-nos Senhor

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O texto que segue foi escrito quatro anos atrás, numa ocasião em que, durante um dia e pico, a Morte (sim, com maiúscula, a de capa negra e foice na mão) se sentou ao meu lado. Medo não senti, antes curiosidade.
Repesco-o agora, em boa saúde, mas arreliado e triste, rogando pragas a todos aqueles que, há quarenta anos, se afadigam a tratar dos seus interesses pessoais, das suas vaidades, das tolas ganas de poderio, e dão de Portugal a imagem de um país que espelha o seu próprio chico-espertismo.

Na minha idade, a morte próxima, tenho horas em que faço contas, revejo sonhos, listo aspirações. Em primeiro lugar o desejo de que a minha morte não seja súbita. Quero tempo para me despedir dos que amo, dos amigos que tenho, horas para recordar os que me fizeram bem, ensinaram caminhos e abriram horizontes.
Quero tempo para rememorar e agradecer a minha vida, aventurosa, variada, rica de paixões, de fúrias, alegrias, negrumes, amores, alturas e precipícios, e que por vezes, como que fora de mim, iluminou o palco e me fez espectador privilegiado do espectáculo.
Quero horas para me despedir do pobre país em que vim ao mundo. Relembrar que o amei como se fosse gente, me senti menino acarinhado e feliz no seu regaço. Que dele aprendi a língua,  única no modo de embalo, aquela que para lá do sentido das palavras deixa entrever os mistérios da música e do eterno.
O país da suavidade, do desespero, dos sonhos infantis, das mãos pobres que um nada enche, do sofrimento envergonhado e amanhãs que nunca chegam.
Irei sem perdoar aos que o rebaixam.