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Num programa da
televisão holandesa, Maurice de Hond, o especialista das previsões eleitorais,
anunciava a semana passada a sua intenção de se abster de votar, e a
necessidade que há de, para manifestarem a sua vontade, os cidadãos venham a
possuir instrumentos mais eficientes do que o voto.
Emocionado,
argumentava a impotência e a irritação que sente ao votar num partido da sua
escolha, e dar-se conta que, chegado ao poder, esse partido alegremente esquece
as solenes promessas do programa eleitoral, tomando por vezes decisões bem
diferentes ou mesmo opostas. É, afirmava ele, uma forma de trafulhice a que se
deve por cobro, talvez por intermédio de referendos, avaliando a prazos
regulares em que medida um governo eleito cumpre o prometido.
Nos países onde é
elevada a consciência política, a sociedade não descarta a priori as possibilidades de mudança e mostra-se geralmente
favorável à análise do que possa conduzir a melhorias.
Mas melhorias e
mudanças não estão no programa dos malfadados países onde as leis são para
violar, as dívidas para esquecer, o bolo é duns quantos, o resto vive de mão
estendida, temendo o amanhã.
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Publicado no CM