quinta-feira, junho 27

Bilhetes (40)

Nascido a 6 de Janeiro de 2007, este blogue passou lentamente de um ou outro visitante acidental a umas dezenas cada dia. Entre 2010 e 2015 a média diária rondava os seiscentos. Desde então e até à data, talvez por se mostrar o patrão da barca politicamente incorrecto, com pouca paciência para tarados e fanáticos, e nada disposto a seguir pastores, líderes políticos ou a tendência das várias modas, deu-se no TC uma espectacular queda de visitas.
Não espere você agora ver-me a choramingar, queixoso de que as massas me tenham abandonado e muitos amigos – do peito, da onça  – se arreliem de que ainda por cá ando, e de facto alive and kicking.
O assunto é outro. Desde o começo e durante anos o falecido Sitemeter.com registava de forma exacta o número de visitantes e o de páginas lidas. Agora, sem essa saudosa ferramenta, torna-se divertido notar que a contagem de visitas e páginas lidas poderia também ser feita por uma cigana, que em simultâneo segurasse o computador e a palma da minha mão.
Num mesmo momento Amazing Counters regista 52 visitantes e a leitura de 92 páginas, Shiny Stats só vê 39 e 47, enquanto que Google generosamente me anima com 127 e 252.
Desconfio também das listas que mostram mais visitantes e leitores nos Estados Unidos, nos Emirados Árabes, França e Irlanda do que em Portugal.
Ao fim e ao cabo talvez os verdadeiros visitantes e as páginas lidas não cheguem à dúzia e seja tudo conversa de robots. Mas como não tenho ferramenta para de facto controlar, mantenho a ilusão de que por aqui ainda passa gente.

quarta-feira, junho 26

Bilhetes (39)




Entre a multidão de escritores compatriotas há pelo menos três que por razões diversas singularmente me irritam: dois deles porque realmente crêem que a torre de marfim onde habitam alcança os cornos da Lua, enquanto que o terceiro – chamemos-lhe Bonifácio - assistido pelos numerosos parentes, se esfalfa de tal maneira a apregoar o talento que em si supõe, que seria caridade indicar-lhe um psiquiatra que o curasse da mania.
Mas como o Diabo, sempre divertido, gosta de pregar partidas, dá-se o caso que algures entre o Minho e o Algarve vive um simpático cavalheiro que, à maneira antiga de si próprio diz ser “também cultor das Letras e das Artes”, e fez saber que me ficaria eternamente grato se lhe prefaciasse o livro que tem quase pronto.
O seu e-mail terminava com uma cacetada que só lhe pode ter sido inspirada por Belzebu: “Tenho por si grande admiração, é para mim uma referência, só excedida pela obra de Bonifácio.”

Toma lá, José, não vás distrair-te e um dia destes teres acessos de presunção.