quinta-feira, dezembro 8
sábado, dezembro 3
O perigo do piropo
(Clique)
Não resta dúvida
que a moção será aprovada, talvez mesmo por unanimidade, pois além de ser
conforme ao cânone do politicamente correcto, corresponde também à desagradável
situação causada, sobretudo, pelos bandos de jovens marroquinos, que sem
emprego, e num ambiente de liberdade para eles paradisíaco, percorrem as ruas
com a disposição de predadores.
A intenção é boa,
mas nem a multa assusta os delinquentes, nem eles têm meios de pagamento, de
modo que ficará tudo como dantes.
A esperança das
mulheres assediadas reside assim nas últimas previsões eleitorais, que dão o
PVV de Geert Wilders como o maior partido. E ele, uma vez Primeiro Ministro,
como desejam já 40% dos eleitores, cumprirá o que prometeu: menos marroquinos
na Holanda e deportação dos que não respeitam a lei e os costumes.
...........
Publicado no CM.
sexta-feira, dezembro 2
quarta-feira, novembro 30
O (meu) problema da oração
(Clique)
Por vezes a vivência de certos momentos leva a recordar um texto escrito em circunstâncias semelhantes. Este é de há nove anos.
Desde pequeno ensinaram-me a crer em Deus, Jesus Cristo, na Virgem e nos
santos. Falaram-me de mistérios, de milagres, da Santíssima Trindade,
do Sagrado Coração, Lourdes e Fátima. Ao mesmo tempo ensinaram-me a
rezar, o que durante anos fiz com o automatismo da inocência.
Depois, sem de todo perder a fé, vivi longos períodos em que as relações com a divindade se me tornaram nebulosas, tal um hábito perdido que vagamente se recorda. Como houve também alturas em que, sem outra porta onde bater, a aflição e o desespero me levaram a orar.
Hoje, com a calma que a idade empresta e a perspectiva do fim próximo, retorno à candura inicial, mas agora despojada do que acho supérfluo.
Creio em Deus. O resto - Jesus, Virgem, profetas, santos, milagres e mistérios... - parecem-me atributos, folclore, perturbam a minha concepção do Criador Uno e Todo-Poderoso.
A Bíblia não a tenho por livro sagrado, sim como documento histórico. Cristianismo, Budismo, Islam, essas e as mais religiões, olho-as com o respeito que merecem os fenónemos de massa milenários, e a perplexidade de que continuem a ser causa de tantos horrores. Os templos interessam-me pela sua arquitectura, os rituais pelo seu colorido. E como na teologia não encontro certezas, somente interpretações e suposições, vejo-me a sós com Deus e debato-me com o problema da oração.
Os padre-nossos que dizia como um autómato, deixaram de satisfazer a minha vontade de comunicação, e não resistem às dúvidas que me ponho, nem à análise do texto.
“Venha a nós o vosso reino” - mas haverá nele também o mal, a crueza e a desigualdade que nos afligem neste em que estamos?
“Seja feita a vossa vontade” - então de nada adianta esforçar-me por um objectivo, querer seja o que for, pedir seja o que for. Aceitar que a Sua vontade seja feita parece-me contradição, pois desdenha das qualidades que Ele próprio me deu para viver e sobreviver, faz de mim um títere, condena-me a um existir fatalista.
Assim cheguei à fase em que as minhas orações, despidas do supérfluo, traduzem apenas um sentimento de fé, comunhão e humildade. Creio em Deus Padre, Todo-Poderoso. Digo-o de olhos fechados, e esforço-me por não desesperar da minha insignificância e do vácuo que sinto.
Depois, sem de todo perder a fé, vivi longos períodos em que as relações com a divindade se me tornaram nebulosas, tal um hábito perdido que vagamente se recorda. Como houve também alturas em que, sem outra porta onde bater, a aflição e o desespero me levaram a orar.
Hoje, com a calma que a idade empresta e a perspectiva do fim próximo, retorno à candura inicial, mas agora despojada do que acho supérfluo.
Creio em Deus. O resto - Jesus, Virgem, profetas, santos, milagres e mistérios... - parecem-me atributos, folclore, perturbam a minha concepção do Criador Uno e Todo-Poderoso.
A Bíblia não a tenho por livro sagrado, sim como documento histórico. Cristianismo, Budismo, Islam, essas e as mais religiões, olho-as com o respeito que merecem os fenónemos de massa milenários, e a perplexidade de que continuem a ser causa de tantos horrores. Os templos interessam-me pela sua arquitectura, os rituais pelo seu colorido. E como na teologia não encontro certezas, somente interpretações e suposições, vejo-me a sós com Deus e debato-me com o problema da oração.
Os padre-nossos que dizia como um autómato, deixaram de satisfazer a minha vontade de comunicação, e não resistem às dúvidas que me ponho, nem à análise do texto.
“Venha a nós o vosso reino” - mas haverá nele também o mal, a crueza e a desigualdade que nos afligem neste em que estamos?
“Seja feita a vossa vontade” - então de nada adianta esforçar-me por um objectivo, querer seja o que for, pedir seja o que for. Aceitar que a Sua vontade seja feita parece-me contradição, pois desdenha das qualidades que Ele próprio me deu para viver e sobreviver, faz de mim um títere, condena-me a um existir fatalista.
Assim cheguei à fase em que as minhas orações, despidas do supérfluo, traduzem apenas um sentimento de fé, comunhão e humildade. Creio em Deus Padre, Todo-Poderoso. Digo-o de olhos fechados, e esforço-me por não desesperar da minha insignificância e do vácuo que sinto.
sexta-feira, novembro 25
Rótulos
(Clique)
"O rótulo de
"esquerda" ou de "direita" confere o conforto da pertença
tribal, a garantia antecipada de defesa do grupo-alcateia em caso de ataque
vindo do exterior, mas, sobretudo, defende o indivíduo contra si mesmo, resguardando-o
do vício trabalhoso de ter de pensar. Mais ainda, é um ansiolítico
tranquilizador para o maior dos medos modernos, o pavor da solidão. Da integração
numa das duas culturas – de esquerda ou de direita – decorre automaticamente
uma reposta padronizada a questões que, de outra forma, exigiriam um esforço e uma
autonomia que são descartados graças a um mecanismo que de imediato segrega
códigos, rituais, comportamentos e práticas que moldam o gosto e os hábitos,
incluindo no plano do comportamento afectivo e sexual, na escolha dos lugares
de convívio, restauração e lazer ou no modo de vestuário. Mas, sobretudo, a
filiação na esquerda ou na direita determina, tantas vezes inconscientemente, o
posicionamento que é suposto ser adoptado em face das mais diversas situações e
problemas. Tomar partido a favor da
posição A ou da posição B nem sequer é visto como obrigatório ou coercivamente
imposto, sendo antes encarado como o produto "natural" e
"espontâneo" de uma dada pertença ideológica ou política
profundamente interiorizada ("a minha
visão do mundo"), à semelhança do que ocorre com as convicções religiosas
nascidas do bricolage espiritual (a "minha fé")."
………
In Da Direita à
Esquerda – António Araújo – editora Saída de Emergência, 2016.
quinta-feira, novembro 24
quarta-feira, novembro 23
Gordura e preguiça
(Clique)
É o excerpto de um artigo do semanário neerlandês Elsevier sobre a necessidade de movimento, onde entre outras coisas dolorosas se afirma: "Nos Países Baixos metade da população é demasiado gorda; Isso, contudo, acontece com mais frequência noutros países da EU. Na Espanha, Inglaterra, Escócia e Irlanda 70% porcento dos homens tem peso a mais.
70% dos suecos pratica desporto todas as semanas;
64% dos portugueses nunca pratica desporto."
terça-feira, novembro 22
domingo, novembro 20
Revista DOMINGO 20.11.2016
1-Em
sua opinião por que é que este livro não foi bem recebido na Holanda, como
conta logo no prefácio? Diz que recebeu pouco menos de vinte euros de direitos
de autor…
Um
livro destes, contracorrente, só por milagre teria boas críticas ou seria bem
aceite, mas também não contei com a atitude do editor, muito cauteloso em não
desagradar à multidão do politicamente correcto. Publicou-o porque havia
contrato, mas também fez o possível para não o distribuir. Na Holanda continua
a não ser avisado, nem de bom tom, dizer que o rei vai nu.
2-Que
livro é este?
Se
posso parafrasear Pessoa, é o livro do meu desassossego. Em relação à
sociedade, à
manipulação, ao desdém que voto aos políticos em geral, a toda a espécie
de profetas que insistem em nos mostrar o bom caminho. Desassossego, também,
pela influência das redes sociais e o ambiente que criam, a facilidade com que nelas se vitimiza ou
promove a herói um qualquer pateta; de fazer de conta que é possível ter
direitos sem deveres ou normas; que basta exigir.
Creio
que não, porque pessoalmente há muito estou de bem com a vida. A minha ira, e
acredite que é genuína, vai para a mentira, o descaro, a manipulação, a
trafulhice, a cara de pau com que os políticos e os meios de informação
aproveitam e abusam da ingenuidade dos cidadãos, nem sequer os tratando como
imbecis, mas atrasados mentais, as "deploráveis criaturas" de que
agora se fala.
4-Ainda
assim escreve que se pudesse renascer, escolhia ser holandês. Porquê?
Porque
a Holanda é um país superiormente organizado, o cidadão sabe-se realmente
protegido pela lei, o nível de corrupção é muito baixo, vive-se nele sem necessidade
de pedir favores, meter cunhas, pagar luvas, ou ter de falar com o doutor Fulano
para que arranje vaga no hospital.
5-Geert
Wilders, do Partido da Liberdade holandês (PVV), saudou a “revolução” na
América que recuperou “a sua soberania e identidade” depois da eleição de
Donald Trump. “O que a América pode fazer, nós também podemos”, prometeu
Wilders cujo partido está bem posicionado nas sondagens para as eleições de
Março na Holanda. O que acha que pode
acontecer nas próximas eleições? E à Europa depois das eleições americanas?
O
partido de Geert Wilders de certeza vai obter excelente resultado nas próximas
eleições, mas defronta um colossal obstáculo: só tem eleitores, não tem
quadros. A força do politicamente correcto na Holanda é tal, que quem se arrisca
a aceitar uma posição no PVV não escapa a ser social e politicamente
ostracizado. De modo que a solução será que o PVV participe numa coligação,
dando apoio parlamentar ao partido vencedor.
É
cedo para falarmos da Europa, mas o avanço do Cinco Estrelas na Itália, e a
apressada "simpatia" que alguns países europeus demonstram pela
Rússia, de certeza vão trazer interessantes mudanças e dificultar o discurso dos
eurocratas.
6-Que
legado deixou no país o assassinato há dez anos do cineasta Theo Van Gogh por um
holandês de origem marroquina, Mohammed Bouyeri, que atirou oito vezes no
estômago e depois o decapitou?
É
triste dizer que fora dos seus amigos e dos quantos que admirávamos a sua
coragem, e lhe desculpávamos a truculência, Theo van Gogh é passado.
Mas
porque dá a medida da cobardia dos governantes e do oportunismo dos seus
princípios, é difícil esquecer dias depois do assassinato, o burgomestre de
Amesterdão foi tomar chá a uma mesquita "para acalmar os ânimos dos
muçulmanos."
7-“Existem muitas holandas, ao contrário de há 50 anos”, escreveu. Qual será a
preponderante?
Entre os dezasseis milhões
de holandeses há cerca de meio milhão de marroquinos e outros tantos turcos.
Esses são os da primeira geração. Eles e os seus filhos acatam em geral as leis
holandesas, embora sejam muitos a afirmar a supremacia do Islão. Se as acatarão quando forem a maioria,
ou quase, é a grande incógnita. E como um antigo ministro da Justiça afirmou: "Se forem a maioria e quiserem a
sharia, teremos a sharia".
8-Cita
Borges e escreve que “em todos nós há resquícios de fascismo e racismo”. No que
a si toca…
Claro
que há, claro que tenho, e creio que nisso não me diferencio de Nosso Senhor Jesus
Cristo ou a Madre Teresa. Mas para esses, muito humanos, defeitos do meu
carácter possuo excelentes travões. Não me passaria pela cabeça insultar ou
desprezar alguém devido à cor da sua pele, ou julgar-me superior ao meu
semelhante.
9-Contemplou
diversas vezes a partida da Holanda mas nunca o chegou realmente a fazer? Porquê?
Nem creio que o farei, a
menos que a Morte ande na minha aldeia a aguçar a foice e me surpreenda lá. A
razão simples é que só na Holanda tenho família: mulher, filhos, parentes e
aderentes. Em Portugal resta-me a casa do meu avô materno. Mas talvez esse laço
seja mais forte do que aparenta, pois há vinte anos que alterno três meses cá e
três meses lá.
10-Fala de como foi um ‘outsider inside’ no pós-25 de abril e
sempre se manteve assim. Continua, portanto, a sentir-se um ‘outsider inside’
quando liga agora a televisão portuguesa?
Já o era há muito,
continuo a sê-lo, e poderá parecer exagero, ou até pose, mas o facto é que, outsider
ou insider, Portugal me dói. Outras vezes envergonha-me, enraivece-me, faz-me
desesperar. "Feira Cabisbaixa", de Alexandre O'Nei,l é dos raros
poemas que sei de cor. Para mim Portugal é de facto "meu remorso, meu
remorso de todos nós."
11-Fala
das holandesas que se encontraram com o proletariado no Alentejo, que ainda
hoje se encontram anciões alentejanos que “rebolam os olhos ao recordar esse
gostoso tempo”. Quem se sai melhor neste seu quadro revolucionário?
Devem ter sido as raparigas, porque além da
componente erótica regressaram à Holanda com a satisfação de terem cumprido um
dever missionário, instruindo as massas trabalhadoras nas possibilidades do
Kamasutra
12 - O que une o rapaz chegado à Holanda, no pós II Guerra, com o
olho em Paris, e o octogenário. E o que os separa?
O benefício dado a este
último de poder olhar para trás e separar o trigo do joio, o que valeu a pena do
que foi tempo perdido.
13 - Fiquei com a impressão de que tem por hábito e, desde sempre,
tomar notas ou manter um diário dos acontecimentos do quotidiano ou do que leu
ou observou. É assim?
De facto. Vou anotando.
Depois deixo passar bastante tempo, o
que então me ajuda a rir de mim próprio, envergonhado de por vezes me ver a
desempenhar aquele papel que nos outros tanto me irrita: o de um sujeito sério.
14 - “Portugal, se fosse pessoa, já tinha sido condenado por
falência”. “A obrigação da Europa para com os portugueses é, a exemplo do que
fizeram os EUA com os índios, e o Quénia com os animais, é fechar-nos numa
reserva”. “Deixados a nós próprios acabamos por desaparecer”. Resta-nos,
portanto, ficar sossegadinhos a apanhar sol na praia da UE?
Esse parece ser o nosso
destino, a espera de que algo de bom aconteça. Mas sossego, sol e praia da EU
creio que não vai haver, porque isso é gente que duma ou doutra maneira aparece
sempre a apresentar a conta. E os juros.
15 - “Viveu mais longamente do que o tempo indicado pelo
calendário”. O que quer dizer com isto?
Na minha juventude a média
de vida para os homens em Portugal ia pouco além dos sessenta anos. Fora isso a
idade de Jesus Cristo já me parecia suficiente
16 - Como se vive aos 86 “sem país ou partido e para onde quer que
olhe não descortino segurança e paz”?
Não a
descortino nos outros, mas tenho-a em mim, de par com uma sagrada independência. Não devo dinheiro,
nem favores, não me prendem benefícios, alianças, amarras ou filiações, a
ninguém tenho de prestar contas. Mas é uma segurança e uma paz que se paga
caro.
* * *
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