quarta-feira, julho 20

Tens vinte anos? Vinte e cinco?

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A questão não é concordar ou discordar, gostar ou não. Este artigo de Gideon Rachman -  Mass imigration into Europe is unstoppable - publicado no Financial Times em 11-01-2016, dá que pensar. Se estivesse na juventude, eu por certo encontraria aqui razões suficientes de preocupação. Salva-me delas a idade, fica a tristeza de que o mundo não se anuncia melhor, nem mais harmonioso, nem mais pacífico.


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terça-feira, julho 19

Um programa

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Ter sonhos, querer avançar o tempo, ver claro, usar de franqueza para contigo mesmo e os outros. Admitir o erro. Cair e arranjar força para te levantares quantas vezes for preciso. Zombar dos teus próprios tiques e defeitos, medos, cobardias. Esquecer a verdade dos outros, descobrir a tua. Aceitar que é boa a inveja de querer ser como os melhores.
É todo um programa. Feliz aquele que realiza um centésimo.

domingo, julho 17

Tarde de domingo

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Tarde de domingo na capital do país mais densamente povoado da Europa.

sábado, julho 16

Sem custo nem dor

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Atentados, tragédias, bombardeamentos, revoluções. Não é connosco e é longe, pode chocar, mas logo se muda de canal ou vira a página, retoma-se a conversa, porque os desastres alheios e longínquos não aliviam as nossas dores, não acodem às urgências, não resolvem os compromissos, não pagam as facturas.
Pode ser real e sincera a compaixão, mas vale o que vale, mesmo quando acende velas, depõe coroas de flores e pinta slogans no rosto.
O atentado de ontem, a revolução de hoje, as bombas de amanhã, não nos tocam, oferecem o pretexto de, sem custo nem dor, exibirmos a nossa solidariedade.
 


quarta-feira, julho 13

Pokémon Go

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De que adianta tanto falatório, tanto comentário, tanta certeza duns e pessimismo doutros? De que adianta prenunciar este a catástrofe, garantir  aquele que sempre se dará um jeito?
Ao fim e ao cabo todos sabemos onde o sapato aperta, como também sabemos  que sapateiro nenhum será capaz de encontrar forma que se acomode aos nossos dolorosos calos.
E assim vamos indo a caminho da sociedade do cidadão descartável, com sobra de direitos mas de barriga vazia, procurando consolo nos pitéus da televisão, tendo por sonho uma vitória no Pokémon Go.

terça-feira, julho 12

O celibato da culpa

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O futebol diverte, distrai, alegra, emociona, mas não cura dores nem paga dívidas. Por isso, pelo menos em mim, as sombras de hoje fazem diminuir a alegria que senti no domingo, põem-me de pé atrás para as promessas de que tudo vai bem, não acontece nada.
Como me importam muito as consequências, pouco se me dá que queiram casar a culpa, ou insistam em dizer que ela ainda prefere o celibato.

segunda-feira, julho 11

O martírio do beijo

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Tudo tem a sua hora e modo, princípio que deveria também valer para o  ritual do beijo, seja de amor, ternura, cortesia, ou aquele a que Judas deixou ligado o seu nome.
O caso é que, numa sociedade de esbanjamento, o desperdício se aplica a quase tudo. Começa pelos objectos, passa para os sentimentos, as maneiras, sabe Deus que mais. Assim, por exemplo, aquele saltar que em tempos era apenas típico dos Zulus, vê-se hoje em tudo quanto é festival, mas sem a elegância que essa tribo mostrava. O beijo, por sua vez, que tirante nas febres da alcova era um roçar de lábios pelas faces, as mãos das senhoras, os anéis dos bispos e os pés das imagens de Cristo, tornou-se um gesto banal, inflacionado, e por vezes, como no caso dos pais que beijam os filhos nos lábios, ganhando suspeitas de incesto.
Eu, que há anos não ia à missa e ontem assisti a uma do sétimo dia, surpreendeu-me, no final, ver-me rodeado de estranhos a beijar-me as faces, idosas que pareciam sugá-las, anciãos a esfregar nelas a bigodeira.
Saí dali em pecado, perguntando-me o que pensará o Senhor de tanto beijo.
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Publicado no CM