terça-feira, janeiro 5

"The sound of silence"

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Assino por baixo:

"O silêncio que se abateu sobre a vinda a Portugal do dissidente cubano Guillermo Fariñas, Prémio Sakharov em 2010, foi ruidoso o suficiente para relembrar a conivência dos intelectuais com o regime cubano e o fascínio que a ditadura castrista exerceu sobre eles – e sobre a esquerda que gosta de retratos de Guevara e que fechou os olhos ao Gulag. Que o governo tenha recusado recebê-lo são minudências diplomáticas; que o presidente do Parlamento tenha mantido igual recusa é uma vergonha. Que os intelectuais não tenham tido uma palavra é o normal, fascinados que são pelas ditaduras dos trópicos. A prova é a mordaça em redor da Venezuela, onde uma ditadura neurótica mantém na prisão o líder da oposição e se dá ao luxo de nomear um parlamento próprio para substituir o eleito. Calados, imunes e sem vergonha." 

De Francisco José Viegas, aqui.

E canto com Simon & Garfunkel:

"And in the naked light I saw
Ten thousand people, maybe more.
People talking without speaking,
People hearing without listening,
People writing songs that voices never share
And no one dared
Disturb the sound of silence.

"Fools," said I, "You do not know.
Silence like a cancer grows.
Hear my words that I might teach you.
Take my arms that I might reach you."
But my words like silent raindrops fell
And echoed in the wells of silence."
 

segunda-feira, janeiro 4

Deslize

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"Há horas de sorte!", gritavam os cauteleiros que andavam pelas ruas vendendo o "Euromilhões" de então.

Pelo menos nos últimos dias, esse prenúncio não tem valido para mim no que respeita leitura. Descartei os jornais, estou a ponto de fazer o mesmo com os semanários, de momento a internet satisfaz a minha necessidade de análises e notícias.

Sigo alguns blogues por motivos tão variados como por neles encontrar excelente  prosa, bom humor, opiniões inteligentes, mas também vivacidade, malícia, ou porque me revelam ambientes que me surpreendem.
Devo, porém, confessar um deslize a que por vezes cedo e a que me custa pôr travão: o fascínio pelos blogues de loucas e loucos, sobretudo aqueles onde o desequilíbrio se encontra ainda na fase de parecer racional, dando lugar ao que passa por sinceras e sentidas confissões.
Deus ajude a todos, e a mim não esqueça.
 

sexta-feira, janeiro 1

Pai e filho

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Meu Pai faleceu em Outubro de 1983. Pouco tempo depois encontrei esta pasta de arquivo onde ele guardara as cartas que me tinha escrito e de mim recebido, provavelmente desde o meu tempo na tropa.
De longe a longe pego nela com o propósito de ler essa correspondência, mas o resultado é sempre igual: não consigo obrigar-me a abri-la, tão grande é o medo que tenho do confronto com um passado que para mim, e talvez também para ele, não foi feliz.
Tentei hoje de novo, e mais uma vez falhei.


quinta-feira, dezembro 31

Ilhas


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O virar da folha do calendário de nada adianta: é ritual. Tão pouco adiantam os brindes e os beijos. Conta, sim, o instante solitário em que, ouvindo bater as doze, você se pergunta porque é que o que poderia ter sido não foi, e o que poderia ter tido não teve, o que julgava receber não lhe foi dado.
Para si vão os meus votos de que, rodeado de alegria e risos, ao dar a meia-noite não entristeça, não desespere, nem se sinta abandonado ou só. Os outros também são uma ilha. E com Ano Novo ou sem ele há sempre um amanhã. 
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PS. Repetir um voto é uma maneira de estender a mão.

terça-feira, dezembro 29

Ah! A Poesia!

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Ouvido no café a uma senhora que parecia queixar-se do filho a uma amiga:
“Não se mexe, não quer nada. Fica ali horas a escrever e diz que é poeta! Que lhe hei-de fazer?”

quinta-feira, dezembro 24

Depois das rabanadas

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Para conversar em paz logo à noite, depois das rabanadas:

“Com os nossos devemos manter alta a craveira do amor do próximo, mas para com os outros temos a obrigação de que essa craveira se adapte à realidade.”

“Não digo: abram as portas e acabem com as fronteiras.  Certamente amo o próximo, mas à noite aferrolho a porta.”

“A generosidade não é uma função do Estado. Considerar que se devem acolher todos os refugiados demonstra ingenuidade e falta do sentido da realidade.”