sábado, maio 21
sexta-feira, maio 20
Para que conste
"I’ve learned that Portuguese is the sexiest of
the romance languages"
Com um abraço à Fernanda, a amiga cúmplice, que antes do dito acontecer me mostrou muito do que iria ser o 25 de Abril. Sempre grato por isso e pelo mais que lá de Toronto manda.
quinta-feira, maio 19
Recomendações
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Recomendaste, deixei-me levar pela amizade e entusiasmo,
esqueci que nos separa mais de meio século, que em matéria de música fiquei
pelos Beatles e Aznavour, que nunca leste Graham Greene, Maupassant, nem sequer As Pupilas do Senhor Reitor ou John, o chauffeur russo, e fiz então na
Wook a encomenda do cinco vezes estrelado livro da senhora.
Deitei-me à leitura, surpreso de que Max du Veuzit esteja
de volta, perguntando-me que raio vês tu,
e muitas muitas dezenas de milhar doutros, onde eu pasmo com a banalidade, a mediocridade
da escrita e do sentir, aquelas confissões de adolescente pateta, mais o folclore
da tão pitoresca pobreza.
Não estou zangado nem azedo, só triste. E da próxima vez
que me recomendares um livro voltarei a lê-lo, com pouca esperança de que me
agrade, apenas interessado em te conhecer melhor.
quarta-feira, maio 18
terça-feira, maio 17
Blogues e diários
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A sério ou não, o blogue para
mim é conversa, conversa imaginária. Fantasio interlocutores num café virtual,
suponho neles qualidades de sabedoria, cultura, inteligência, e uma atenção educada.
Resumindo: um passatempo inócuo, maneira
de me imaginar no mundo, participando sem agravos nem aborrecimentos, de facto
com mentalidade nada diferente da que, em criança, me levava a revolver os
cobertores da cama, fantasiando a imponência dos Alpes.
Um diário é outra coisa.
Entram nele dores e confissões, os momentos de paz, mas também as horas de
raiva, os desesperos da impotência de nada poder consertar do que está errado,
torto e retorcido, injusto. Para mim, escrever um diário fere mais do que
alivia, porque intento, sem que me poupe, deixar nele o mais que consigo atingir
de sinceridade no expor das minhas falhas.
Talvez pareça vislumbrar-se
aí algo de ascese e depuração, mas o que de facto lá deixo são dolorosos ajustes
de contas comigo mesmo. Fi-lo com Tempo
Contado (1994-1995) e, uma segunda vez com Pó, Cinza & Recordações (1999-2000).
Anteontem comecei o que
deve ser o último, pois por muito interessante. movimentada e surpreendente que
uma vida seja – a minha tem sido – chegam sempre os momentos de inevitável
fastio, o enfarte do déjà vu.
segunda-feira, maio 16
A farmacêutica e o lagarteiro
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É filha como poucas: a vida inteira dedicada aos pais e à farmácia que deles recebeu. Férias nunca teve, nem tempo livre, que o gasta todo no trabalho e no arranjo da quinta. Desde sempre, em Maio vão os três em romagem a Fátima.
Chegada aos cinquenta, nunca se lhe conheceu uma amizade,
namoro ou paixão, o que as más-línguas explicam dizendo que deve ser culpa da
postura desajeitada.
É verdade que os seus braços são como trancas, as pernas
dois cepos, e bem escanhoa o bigode, não adianta, mas se ao menos desse um
jeito ao cabelo em vez de gostar dele à escovinha, talvez ajudasse. Os pais
assustaram-se na ocasião em que o pintou de azul e verde. Acabasse com aquilo,
as pessoas eram capazes de não gostar e irem mais à farmácia do Magalhães.
Desde Fevereiro tem uma nova ajudante, a Glória, rapariga
meiga com quem se fecha no gabinete para, como explicou às outras funcionárias,
lhe ensinar o que ainda lhe falta de prática.
Em Março comprou o lagarteiro. O pai disse que era
esbanjamento, mais valia tratar com o Sebastião o trabalho da lavra, mas ela
insistiu e venceu. Sai com ele como quem vai a passeio pelas encostas. Gosta do
ronco do motor, e quando pega nas alavancas e os dentes do arado se cravam na
terra, sente como sua aquela força.
domingo, maio 15
Não há luz ao fim do túnel
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Ao inaugurar o túnel do Marão o Primeiro-Ministro cumpriu
o ritual e discursou, mas podia ter-nos poupado as frases sobre oportunidades
de desenvolvimento para Trás-os-Montes, novas estratégias, visões, impulsos à
descentralização, ir tornar-se a província "a frente avançada para a
afirmação da economia portuguesa no conjunto do mercado ibérico".
Dessas e doutras, bem soantes, cheias de promessas, já
nós transmontanos temos a barriga cheia, há séculos que as ouvimos, com os
resultados que conhecemos e estão à vista dos senhores políticos que deles
queiram dar conta.
E pode ser que se tenha calculado que "o PIB per capita da região é de 61% do da região do Grande Porto", mas a estatística é o que é, também neste caso uma entorse à realidade.
E pode ser que se tenha calculado que "o PIB per capita da região é de 61% do da região do Grande Porto", mas a estatística é o que é, também neste caso uma entorse à realidade.
Já agora, se o Primeiro-Ministro calhar de visita por
estas bandas, ou lhe apeteçam férias no antigamente, passado o túnel do Marão
rode na A4 até Pópulo. Continue para nordeste com o IC5, onde esporadicamente
cruzará outro carro. Meta depois por uma estrada secundária, não importa qual,
e não se atordoe ao olhar em redor: ainda é Portugal, mas parece outro mundo.
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Publicado no CM
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