sexta-feira, novembro 27

Nada dizem, são só números

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PORTUGAL
10.4 milhões de habitantes;  PIB per capita: 16.700  €;  ministros: 18;  secretários de estado: 41.

HOLANDA:
16.8 milhões de habitantes;  PIB per capita: 37.000 €;  ministros: 13;  secretários de estado: 7.          

quinta-feira, novembro 26

Lifestyle

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Alguns deixam-se ir, aceitam, conformam-se, seguem modas e tendências, apuram o visual, impõem-se o lifestyle que julgam único, mas é do rebanho.
Nada contra. O rebanho é paz e segurança, oferece garantias, basta seguir o pastor, ele se encarrega de encontrar a erva.
No outro extremo estão as ovelhas ranhosas. Sempre incómodas, desobedientes, incapazes de ritmo, descuidadas no rumo, esquecidas das directivas, indiferentes à ameaça do cajado, resmungando quando o sentem no lombo, mas incapazes de melhorar.
Uns quantos nascem para o mando, muitos aceitam ser mandados, pagam as favas os que não querem uma coisa nem outra. Sei do que falo.

quarta-feira, novembro 25

Aos dezoito anos



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Dois volumes, oitocentas e trinta e sete páginas, o inesquecível fascínio que se ressente aos dezoito anos, no limiar da vida adulta e das paixões a sério.
 

terça-feira, novembro 24

Um circo reles

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Teria dez anos, deve ter sido na Primavera de 1940 que em Gaia, no que era então um areal defronte do convento de Corpus Christi, se instalou um circo francês que, com armas, bagagens, artistas e animais, tinha escapado à guerra.
Foi o meu primeiro circo de verdade, pois até então só os conhecia dos romances e de ouvir dizer. Pasmei-me com os trapezistas, os malabaristas, as feras, as trombetas, as lantejoulas e, maravilha, de perto e pela primeira vez de verdade, quase toquei mulheres que pareciam nuas, coisa que só conhecia de desenhos e más fotografias a preto e branco.
Dos palhaços não gostei, como não tinha gostado dos bobos nem dos jograis nos romances de Herculano, figuras disformes, repelentes, com trejeitos manhosos e de uma sabedoria oca. De verdade, fora a grande surpresa desse primeiro, o circo deixou de me interessar como espectáculo, idem os bobos.
Infelizmente, para o meu e o desconforto de cidadãos sem conta, a vida política nacional tomou a aparência de um circo reles, onde parecem multiplicar-se os palhaços boçais que peidam, arrotam e acham "fina" a própria obscenidade.

segunda-feira, novembro 23

Portugal ao espelho

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Com tudo o que na sua vida pública e política acontece de rasteiro, torpe, vergonhoso, Portugal mantém a rara qualidade de só ver no espelho, não o que este reflecte de miserável, mas o alegre piscar de olho do trapaceiro, a arte do vigarista da vermelhinha, a certeza de que embora às vezes demore, está  provado que o chico-espertismo leva sempre a melhor.
É um país que dispensa legisladores que o corrijam ou juízes que o castiguem, mas para espanto das gerações vindouras está a pedir um Balzac que lhe retrate os personagens e a triste comédia.

sábado, novembro 21

Maluquice dos tempos

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Por volta do meio-dia, nos confins de Trás-os-Montes, algures na N220 está um carro da GNR parado na berma. Junto dele dois guardas, as mãos atrás das costas, passeiam para lá e para cá, visivelmente aborrecidos.
Mesmo ao lado, em volta de um grande assador, os bombeiros preparam-se para assar um leitão.
Ao contrário do que supus, os guardas não têm a ver com o churrasco. Estão a postos porque esta manhã um jiadista se evadiu da cadeia em Barcelona e eles receberam ordens de vigiar a fronteira.
Vigiar a fronteira? Ali? A ver se passa um jiadista fugido de Barcelona?
O Senhor se compadeça.
 

Luxos da aldeia


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Basta abrir a janela e colhem-se à mão.