terça-feira, fevereiro 16
domingo, fevereiro 14
De Pilsener Club
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Pode ser da chuva, que há dias cai com um cinzento da Lapónia, misturada com o que aqui se chama natte sneeuw (neve molhada), um fenómeno mais capaz de criar sombras na alma do que o nevoeiro cerrado. Pode ser ainda que seja desta minha inata insatisfação que, por ter sonhado muito, me leva a esquecer os momentos felizes e a aumentar o desgosto que causam as miudezas do dia-a-dia.
Também se dá o caso que, ultimamente, não tenho
correspondido às amizades com a benevolência de espírito que nos torna companhia
agradável.
Ando azedo. Sugeri atrás que a chuva pode ter a ver com o meu estado
de alma, mas no fundo sei que assim não é, reconheço de sobra que o aborrecimento
me vem mais das situações em que não posso ser franco, gasto tempo a rendilhar
frases, quando a minha vontade seria dizer a verdade nua e crua.
É facto, ando azedo, sinto-me hipócrita, e esta neve molha
mais do que a chuva. Que saudade tenho de quando, em tardes assim, corria para
o De Pilsener Club e lá ficava até que
a genebra e a companhia aclarassem o céu e a minha alma.
sexta-feira, fevereiro 12
Writer's block
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O enredo que imaginou é mais ou menos assim: ela odeia a mãe. A ele calhou de repente uma herança. O terceiro personagem, sem razão clara de donde lhe vem o ódio, tem ideia de que há-de matar um deles, talvez ambos.
Ao acordar, o jovem escritor, "viu" claramente
as cenas, "ouviu" os diálogos e, como em transe, escreveu de um jacto:
"Sinto-me como
se fosse eu o alvo preferido de não sei que poder oculto ou, tal um escravo, me
tivessem posto à sujeição de vontades alheias, que dispõem de mim e me forçam a
proceder de um modo na aparência lógico, razoável, mas que na prática se mostra
insensato.
Por certo vem daí a
insegurança de que não consigo libertar-me, a hesitação em agir, o receio de
que, por princípio, qualquer iniciativa que tome seja desatinada ou contraproducente.
Marca-me também o
ser filho de pai incógnito e mãe solteira, ferrete de que não me livro, embora
tenha deixado de ser o vexame que nalgumas alturas me levou a compreender como
é fácil perder o juízo e dar um passo irremediável.
Numa salvei-me por
um triz, noutra acudiram-me, desde então olho com pena para o rapaz que
fui, os medos que demorei a vencer, as ocasiões que perdi".
Parou aqui, ignora quantas vezes o releu, pergunta-se que
mistério será o ter livro na cabeça há tanto tempo e ser incapaz de o passar ao
papel.
quinta-feira, fevereiro 11
Selos
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Parece que existe há dois ou três anos, talvez mais, mas para mim ontem foi novidade: recebi uma carta e, para meu grande pasmo – primeiro julguei que fosse brincadeira – o selo mostrava o rosto de um amigo que, sei-o desde que o conheço, é pessoa que em nada se distingue na cinzenta maioria que somos. Mas então com cara num selo? Mas então o selo dos correios não era para homenagear reis, heróis, prémios Nobel, proezas altas como os Descobrimentos? Era, já não é. Por € 9.95, e colocando a sua ou outra cara no programa adequado, Post.nl , os correios neerlandeses mandam-lhe de volta 10 selos válidos para franquear cartas.
E eu que, miúdo, me pasmava de ver selos com a figura de
Vasco da Gama, de Camões, de Pasteur! Onde vai isso?
quarta-feira, fevereiro 10
Notícias
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"O português Luís Nobre (49) foi condenado na Inglaterra a catorze anos de prisão por ter burlado a empresa neerlandesa Allseas em 100 milhões de euros.
O burlão apresentava-se como um investidor imensamente
rico, com relações no Vaticano e na aristocracia espanhola. A polícia descobriu
documentos falsos que "provavam" ter o português acesso a contas
bancárias com biliões de euros.
Da burla foram recuperados cerca de 88 milhões, o
restante parece ter sido gasto para financiar o luxuoso estilo de vida de
Nobre, a sua preferência por hotéis de cinco estrelas e fatos caros. "
Uma cúmplice saberá mais tarde a que pena foi condenada.
Um terceiro suspeito faleceu antes de começar o processo."
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"No porto de Gdansk, na Polónia, com a aprovação da
Comissão Europeia, trabalham desde 2002 centenas de trabalhadores
norte-coreanos, contribuindo para uma concorrência desleal de Gdansk com os
outros portos do Báltico. A Comissão Europeia aprovou o apoio estatal ao porto,
nunca questionando a presença dos "escravos" norte-coreanos.
Calcula-se que neste momento trabalhem em Gdansk cerca de 800 norte-coreanos,
situação a que o secretário de estado do trabalho diz que nada há a fazer.
Os trabalhadores são transportados pela Air Koryo da Coreia do Norte para Moscovo e daí para a
Polónia.
Do salário que lhes é pago 90% é transferido para a conta do
do estado norte-coreano na Suíça. Calcula-se que a exploração de 50.000 a
100.000 norte-coreanos que, além da Polónia, trabalham em Angola, no Koweit e
Qatar, rende anualmente 1,5 bilião de euros à Coreia do Norte."
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terça-feira, fevereiro 9
Vénias
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Reverentes, mostrando uma conjunção de sensibilidades, eles falam da Agustina, da Sofia, do Hélder, e quem como eu está de fora maravilha-se com essa fineza do tratamento.
É facto que nem todos os nomes próprios se prestam à
veneração, os corriqueiros como José ou Miguel simplesmente desaparecem, temos
então o Saramago, o Torga, o Eça, indicando uma subtil diferença de grau de
apreço e intimidade.
Com gostosa malícia recordo o caso do amigo que, anos
atrás, na Feira do Livro de Frankfurt se viu à conversa num grupo de gente
dessa, onde se encontrava também Agustina Bessa-Luís. Habituado a outras
latitudes e outras formas de respeito, achou ele bem dirigir-se à festejada
tratando-a por "Dona Agustina".
Foi um pandemónio na comitiva. Dona Agustina! Que
estupidez! Ignorava o bruto que não era assim que se dizia? Que era sempre e
só Agustina?
O pobre diz que enfiou, acrescentando que evita contar o
caso, porque lhe apontam que, de verdade, dizer Dona Agustina é falta de respeito.
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