Num país civilizado era simples e expedito: rua com ele.
quinta-feira, outubro 8
quarta-feira, outubro 7
O princípio
(Clique)
Confidência para os jovens colegas, os candidatos a escritor e aqueles que sonham "começar um dia destes a escrever um romance":
Há um tempo – não vou dizer
quanto, para não correr o risco de que pensem que exagero – que tento escrever
um novo romance. De modo geral, embora ainda confuso e sujeito a toda a sorte
de mudanças, já tenho o arcaboiço. Tenho também uma ou outra cena, diálogos,
descrições disto, daquilo, ambientes, o todo um tanto confuso e ainda sujeito a
variações bruscas.
Como não tomo notas nem
faço esquemas, o processo mental é cansativo, demorado, caótico, tem alguma
semelhança com o assistir em desordem, e por vezes em simultâneo, a cenas de
vários filmes. Porque assim é, e ao fim de muitos meses ou anos resulta em
obra acabada, continua a surpreender-me.
Em aparência, pois, o
grosso do trabalho está feito. Falta-me, contudo, o essencial e primordial
começo, a frase, o momento indispensável para "agarrar" a atenção
do leitor, surpreendê-lo de modo a que se entusiasme e ganhe interesse pelo que
lê.
Tenho a cena de um homem
com uma carabina apoiada no rebordo da janela. Aponta, regula as linhas do visor até que o cruzamento
se faz na imagem da cabeça do que vai ser vítima. Mas irá disparar e matar?
Hesita ainda? A mulher entra, interrompe-o, fá-lo mudar de ideia? A mulher
estaca e tapa os ouvidos à espera do disparo?
A primeira cena, as frases
iniciais: esse é o grande bico de obra.
………..
PS. Em The Postman Always Rings
Twice James M. Cain escreve um começo de simplicidade genial: "They threw me off the hay truck about noon. I had swung the night
before, down at the border, and as soon as I got up there under the canvas, I
went to sleep."
terça-feira, outubro 6
O caruncho
(Clique)
Teria à volta de catorze anos quando descobri um
alfarrabista na Rua do Bonfim, no Porto, género de comércio que desconhecia, e
foi grande a surpresa de com os poucos escudos que eram a minha mesada, me abastecer
de Emílio Salgari e Júlio Verne, passar deles a Balzac, assombrar-me com "Os
Miseráveis".
Desde esse tempo remoto os livros continuam a ser para
mim o que então eram, satisfazem algo que, como fenómeno, está próximo da fome.
O que mudou é que o livro, enquanto objecto físico, tem agora tendência para me
entristecer, pois aos que enchem as
prateleiras vai acontecendo o mesmo que a mim: envelhecem. Os meus Eças dos anos 40 estão, como desde o
princípio, em grande desarrumo, mas já não me atrevo a tirá-los do lugar, e se por
acaso ou necessidade o faço não os abro nem folheio, certo que se me desfazem
nas mãos.
segunda-feira, outubro 5
sexta-feira, outubro 2
Herberto Helder
(Clique)
Foi um encontro casual num
café de Amsterdam, num grupo de portugueses. As poucas palavras que trocámos
chegaram para que ambos nos déssemos conta de que a respeito de ideologias,
interesses literários, visões da sociedade e mais, estávamos nos antípodas de
quase tudo.
Anos depois, em Lisboa,
comprei o livro, e pelos vistos acabei de lê-lo em Julho de 1968. Dei com ele
ontem, ao acaso do desarranjo causado por uma estante quebrada.
quinta-feira, outubro 1
Avishai Cohen Trio
(Clique)
Entre gostar de música e saber de música há um fosso. No
meu caso gosto, mas por má sorte, na questão do saber fico a
menos de um grau acima do zero, é só ouvido, sensibilidade e sentimento.
O geral dos holandeses gosta e sabe de música muito acima
da média e têm no Concertgebouw de Amsterdam uma
das grandes e prestigiosas salas de concerto, com um público dos mais
exigentes do mundo.
Anteontem, com o Avishai Cohen Trio, veio a casa abaixo. Até eu, que sou doutros tempos e não sei de
música, fiquei de boca aberta.
Mais um.
Mais um.
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