quinta-feira, outubro 8

O senhor José Rodrigues dos Santos?

Num país civilizado era simples e expedito: rua com ele.

NOKIA 9000

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NOKIA 9000, o segundo que comprei. Em 1997, e já tão longe.

quarta-feira, outubro 7

O princípio

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Confidência para os jovens colegas, os candidatos a escritor e aqueles que sonham "começar um dia destes a escrever um romance":
Há um tempo – não vou dizer quanto, para não correr o risco de que pensem que exagero – que tento escrever um novo romance. De modo geral, embora ainda confuso e sujeito a toda a sorte de mudanças, já tenho o arcaboiço. Tenho também uma ou outra cena, diálogos, descrições disto, daquilo, ambientes, o todo um tanto confuso e ainda sujeito a variações bruscas.
Como não tomo notas nem faço esquemas, o processo mental é cansativo, demorado, caótico, tem alguma semelhança com o assistir em desordem, e por vezes em simultâneo, a cenas de vários filmes. Porque assim é, e ao fim de muitos meses ou anos resulta em obra acabada, continua a surpreender-me.
Em aparência, pois, o grosso do trabalho está feito. Falta-me, contudo, o essencial e primordial começo, a frase, o momento indispensável para "agarrar" a atenção do leitor, surpreendê-lo de modo a que se entusiasme e ganhe interesse pelo que lê.
Tenho a cena de um homem com uma carabina apoiada no rebordo da janela. Aponta, regula as linhas do visor até que o cruzamento se faz na imagem da cabeça do que vai ser vítima. Mas irá disparar e matar? Hesita ainda? A mulher entra, interrompe-o, fá-lo mudar de ideia? A mulher estaca e tapa os ouvidos à espera do disparo?
A primeira cena, as frases iniciais: esse é o grande bico de obra.
………..

PS. Em The Postman Always Rings Twice James M. Cain escreve um começo de  simplicidade genial: "They threw me off the hay truck about noon. I had swung the night before, down at the border, and as soon as I got up there under the canvas, I went to sleep."


terça-feira, outubro 6

O caruncho

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Teria à volta de catorze anos quando descobri um alfarrabista na Rua do Bonfim, no Porto, género de comércio que desconhecia, e foi grande a surpresa de com os poucos escudos que eram a minha mesada, me abastecer de Emílio Salgari e Júlio Verne, passar deles a Balzac, assombrar-me com "Os Miseráveis".
Desde esse tempo remoto os livros continuam a ser para mim o que então eram, satisfazem algo que, como fenómeno, está próximo da fome. O que mudou é que o livro, enquanto objecto físico, tem agora tendência para me entristecer, pois aos  que enchem as prateleiras vai acontecendo o mesmo que a mim: envelhecem. Os meus Eças dos anos 40 estão, como desde o princípio, em grande desarrumo, mas já não me atrevo a tirá-los do lugar, e se por acaso ou necessidade o faço não os abro nem folheio, certo que se me desfazem nas mãos.

segunda-feira, outubro 5

O dia seguinte

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O que me entristece no resultado eleitoral: a dramática percentagem de abstenções a demonstrar a nossa falta de sentido cívico; a banalidade e a insipidez dos comentários. Ninguém perdeu, todos venceram. 

sexta-feira, outubro 2

Herberto Helder


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Foi um encontro casual num café de Amsterdam, num grupo de portugueses. As poucas palavras que trocámos chegaram para que ambos nos déssemos conta de que a respeito de ideologias, interesses literários, visões da sociedade e mais, estávamos nos antípodas de quase tudo.
Anos depois, em Lisboa, comprei o livro, e pelos vistos acabei de lê-lo em Julho de 1968. Dei com ele ontem, ao acaso do desarranjo causado por uma estante quebrada.

quinta-feira, outubro 1

Avishai Cohen Trio

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Entre gostar de música e saber de música há um fosso. No meu caso gosto, mas por má sorte, na questão do saber fico a menos de um grau acima do zero, é só ouvido, sensibilidade e sentimento.
O geral dos holandeses gosta e sabe de música muito acima da média e têm no Concertgebouw  de Amsterdam uma das grandes e prestigiosas salas de concerto, com um público dos mais exigentes do mundo.
Anteontem, com o Avishai Cohen Trio, veio a casa abaixo. Até eu, que sou doutros tempos e não sei de música, fiquei de boca aberta.
Mais um.