quinta-feira, janeiro 14

O agora já é antes

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Já era difícil quando sabíamos menos uns dos outros e as novidades demoravam, hoje é de desorientar. Espicaçam-nos para que nada percamos – "Siga as notícias no momento em que acontecem!" – criando a ilusão de que não há vida se não nos mantivermos ao corrente, se nos desinteressarmos do tremor de terra no Punjab, do surto de gripe no Japão ou da queda nos preços do petróleo.
Querem que tudo nos interesse, e raro estivemos tão desinteressados, capazes apenas de surtos de entusiasmo, perdidos no superficial, no efémero, sem fôlego para acompanhar as modas, as tendências, as correntes, possuir os must-have de que nos asseguram que sem eles não há vida que valha a pena.
Os casos de assustar, as tragédias, as grandes calamidades, tudo entra na categoria do transitório, acontecem no agora, mas no momento em que nos damos conta já pertencem ao antes.   
                                                        
 

quarta-feira, janeiro 13

Qual Rubem Fonseca! Qual CM!



 
Criado em Terça, 12 Janeiro 2016 19:38
Última atualização em Terça, 12 Janeiro 2016 19:38

"Às 19h43min da tarde de segunda-feira(11), a guarnição dos soldados Adriano e Bitencourt (VTR 4058), davam um giro pela Rua Antônio Ribeiro dos Santos, bairro da Várzea, quando negacearam um elemento em uma moto de safadeza. O mesmo foi orientado a parar, porém ele foi ao sujo, e bateu em um veículo estacionado.
Detido foi identificado como Cleiton Ferreira, 20 anos, vulgo “Cleitinho” (velho chegado dos home com várias passagens). A placa consultada foi constatado registro de roubo no dia 21/12/2015, então ai está o motivo da fuga. A motoca foi recolhida, e o vida loca encaminhado a DP.

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Viaturas da PM foram acionadas na noite de segunda-feira(11), para conter uma rixa na Rua João Lemos Machado, bairro Morro Grande, após chegar ao local, se inteiraram dos fatos, e descobriram que Saulo Vieira Padilha, 40 anos, alugou parte da casa de Francisco Eduardo, 48 anos, para montar um boteco na Rua João Lemos Machado, bairro Morro Grande.
Devido à crise, e calote dos veacos o vivente não conseguiu pagar o aluguel para Francisco que foi cobrar a grana, na noite de segunda-feira(11). Ambos entraram em atrito e os ânimos se acalmaram em seguida, mas minutos depois 0h39min da madrugada de terça-feira(12), Saulo voltou com um galera aproximadamente 10 elementos, e passaram a apedrejar a casa e um veículo Ipanema. Saulo possuía em mãos um facão três listras e foi pra cima de Francisco que apanhou uma faca para se defender. O Pau comeu solto, Saulo desferiu dois golpes de facão nas costa de Francisco causando cortes superficiais, Francisco revidou e meteu um golpe certeiro no abdômen de Saulo, que foi retirado do local pelo bando. Viaturas estavam no local fazendo levantamento dos dados na residência, foram avisados que familiares levaram Saulo a emergência do Hospital Nossa Senhora dos Prazeres, porém não resistiu aos ferimentos e morreu. Francisco foi encaminhado à Delegacia de Polícia e ficou fechado."

Mais e melhor aqui.

Fora de lei

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Excerpto de uma entrevista de Hafid Bouazza (Oujda, 1970), escritor holandês de origem marroquina, dada em 09.01.2016 ao jornal belga De Standaard.

"Num artigo escrito em Setembro já eu prenunciava que, em consequência desta massiva imigração, não seria de excluir a possibilidade de casos de violação e  agressão sexual. Nas culturas machistas do Mediterrâneo o homem considera a sua mãe uma santa, a avó sacrossanta, mas olha as irmãs como lhe sendo muito  inferiores. Tem isso a ver com o Islão, o qual não é apenas uma fé, mas também uma cultura, uma mentalidade e um todo de conceitos e comportamentos. O Islão considera o homem o protector da mulher. Como um pastor de gado. Al-Mal, o vocábulo para dinheiro e posse, significava originalmente o número de camelos e cabeças de gado que alguém possuía. A mulher é, em consequência, vista como uma posse do homem. Ora se ela é assim rebaixada no que se considera ser um 'livro santo', as consequências são imprevisíveis. A mulher é considerada fora de lei."

terça-feira, janeiro 12

Manhã de Inverno

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No céu de Amsterdam, quase ao meio-dia.

Na morte de David Bowie

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Dá-se agora com a morte de David Bowie, vezes sem conta o vi suceder antes, não há dúvida que se repetirá. E bem é, porque dá prova de que são tantos os que possuem a maravilhosa qualidade de sinceramente idolatrar, de confessar-se gratos pelas emoções e sentimentos que o seu ídolo lhes provocou.
O caso é que digo isto surpreso e com uma ponta de inveja, pois por muito que procure ao longo dos meus tantos anos, de menino a velho não descubro personagem que me tenha despertado esse sentimento.
Admiração, sim. Aquela surpresa que nos torna minúsculos perante o talento ou a ciência alheia, o calafrio que dão certas músicas.
Conheço a amizade, o amor, o carinho, constantemente me vejo a admirar, raro passa dia que por razões várias me não comova, me alegre, me irrite, o que prova algum sentir.
Falta-me, todavia, essa capacidade de idolatrar, de osmose, de permitir a entrega. O que constato sem me perguntar se é bem ou mal, se assim perco algo que me teria feito diferente, melhor. Ou talvez não.