segunda-feira, fevereiro 18

A cor de quem manda


Nada vale tanto como a boa organização, e por vezes pouco a ultrapassa em cómico.
Assim, no governo da senhora Merckel só ela e Wolfgang Schäuble, o ministro das Finanças, podem (devem) escrever com tinta ou lápis verde.
Daí para baixo tem cada manda-chuva a sua cor, e os escribas no fundo da escala usam tinta castanha, acrescentando à rubrica uma "marca" pessoal.
Assim se evitam confusões de poderio, e com uma simples olhadela se sabe quem teve a papelada na mão. Interessante é notar que esse pitoresco sistema data do tempo da burocracia prussiana e foi também utilizado na DDR. Confirma-se, pois, que aos maus regimes não faltam coisas boas.

domingo, fevereiro 17

Mudras e a ampulheta da alimentação


Olhe bem para a imagem: é uma das mudras (posições do corpo) que, tal como o pára-raios atrai a faísca, faz o corpo receber energia cósmica e as outras energias que andam por aí à solta, e as quais, uma vez captadas, fazem bem a tudo, das funções do cérebro aos baixos movimentos do intestino.
Vem isto a propósito do De Voedsel Zandloper - (A Ampulheta da Alimentação) livro de dietas de um jovem clínico belga, que quer reduzir drasticamente o que comemos. Êxito provado, pois nos passados doze meses foram dezoito as edições.
Imagine: jura ele que, para nosso bem, de carne só deve comer o que couber entre o polegar e o indicador. Uma vez por semana. E o volume de alimentos de um bom almoço ou jantar não deve exceder o de uma mão-cheia.
Por culpa do rapaz há escassez de nozes no supermercado – é preciso comê-las, e muitas, todos os dias. De verduras, pelos menos meio quilo. De frutas um cesto, água que baste, e daqueles chás exóticos que, só de vê-los já um cristão se agonia. Ao levantar toca a comer nozes e a preparar um sumo de cenoura, alface, espinafres e maçã. Açúcar? Zero. Sal? Idem zero.
Aumentará isto a alegria de viver?

sábado, fevereiro 16

O novo Saramago


Desgraçada coisa o marketing. Pela enésima vez leio que temos aí um novo, desta vez jovem Saramago. Mas quantos novos e jovens Saramagos apareceram já, mesmo quando o velho ainda vivia? Que será feito deles?
Pode bem acontecer que uns no silêncio das suas tebaidas preparem magna opera. Outros, agitando-se, causam burburinho, gritam e dançam, cantam, expõem-se, na febre  de manter vivo o brilho da marca que querem ser e da imagem que julgam dar.
Deus Nosso Senhor se apiede deles e de nós, porque com o andar das coisas: editores a falir, livrarias a fechar, o número de analfabetos a crescer, bem pode o marketing gritar que chegou o Saramago Redentor, mas daqui a nada poucos saberão quem Saramago foi, e a esses, que nas estantes têm o velho, faltará o dinheiro para comprar o juvenil.
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Retirada daqui, a imagem é de Paulo Araújo.

sexta-feira, fevereiro 15

Não te alegres

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"Não desesperes, um dos ladrões foi salvo. Não te alegres, um dos ladrões foi condenado". Santo Agostinho.

 

quinta-feira, fevereiro 14

As Padeiras

Pobre da nação que na sua História não tem, como nós, uma padeira de Aljubarrota. Da nossa  sei o que diz a lenda: mulher feia e pouco virtuosa, também um tanto cobarde, pois matou os sete espanhóis que no chão da sua cozinha fingiam dormir.
Os holandeses, que têm tudo, possuem igualmente uma "padeira de Aljubarrota": Kenau Simonsdochter Hasselaer (1526-1573). Essa, armada de lança e espada, lutou em 1572 e no ano seguinte contra os desgraçados espanhóis do Duque de Alba, matando (talvez) uns quantos. Também esta era feia, corpulenta e dada a criar inimizades.
Enfim, são histórias de que ninguém precisa, servem apenas para nos convencer de que somos melhores e mais fortes que o vizinho: espanhol, alemão ou outro.
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domingo, fevereiro 10

quinta-feira, fevereiro 7

Privilégio

O privilégio de começar o dia com leituras que fazem pensar: aqui

terça-feira, fevereiro 5

domingo, fevereiro 3

sábado, fevereiro 2

sexta-feira, fevereiro 1