domingo, agosto 9

Respeitinho


Hoje imagina-se mal um pai que, batendo na mesa, assuste mulher e filhos gritando "Respeitinho!" Tãopouco me parece que será levado a sério alguém que se queira fazer valer afirmando "Não admito que me faltem ao respeito!"

Respeito pela bandeira? Pela pátria? O juiz? O presidente? O idoso do rés-do-chão? Tudo isso parece longínquo como a Guerra de 14-18.

Por certo ainda vai havendo boas maneiras, pois para manter a sociedade sem muitos solavancos há que fingir consideração, deferência, acatamento. Contudo, o verniz é frágil, fraca a comédia.

Na minha ideia o respeito deixou de ser coisa do indivíduo, para se tornar uma espécie de slogan das minorias que exigem atenção e de rappers que exigem aplauso. E assim, vulgarizado e diluído, sem paradoxo se pode dizer que o respeito se acanalhou.