sexta-feira, agosto 14

Mentiras

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A tontaria não durou meio ano, mas custava-lhes a acreditar que tivesse passado e, espera a ver, talvez seja engano, não há-de ser tão mau assim, com férias, dois filhos, Páscoas e Natais, só cinco anos depois desfizeram o nó.
Durante décadas cada um na sua vida, nem vistos nem conhecidos. Os filhos também não eram o que se chama uma ponte, e os chamados laços familiares tinham-se afrouxado de tal modo que ele nem sabia ter netos crescidos.
Porque somos amigos e os conheci no começo da tontaria, vem ele agora contar que a ex, dada às letras, escreveu as suas memórias e deu o manuscrito a ler ao filho mais velho. Este, assustado com a leitura, achou prudente avisar o pai antes do texto ir para o editor. O meu amigo conta que leu, alternando as patadas no chão com muitos "grandessíssima puta", e como não adianta rasgar as folhas, a "grandessíssima puta" tem tudo no computador, então que lhe diga o que há-de fazer. E corrigindo: que faria eu no lugar dele?
Desapontei-o:
- Não fazia nada, deixava andar.
- Mas são só mentiras!
- E daí?
Isto foi tempos atrás. Ontem mandou-me um mail com o endereço de um blogue e um grito: "Pus lá tudo! Vai ler!"
Não me interessa, não vou. Ele só lá deve ter posto mentiras. As suas.