domingo, agosto 2

Aeroportos e urgências

Gosto de aeroportos. Quanto maiores melhor. Dallas, De Gaulle, Frankfurt, Heathrow, Schiphol. Não me interessam os aviões, sim a massa de gente, e nessa massa o grande grupo que se movimenta com os ademanes de quem não está ali somente para viajar, mas tomando parte numa misteriosa telenovela. Ele são os óculos escuros, o traje, os acessórios, o ar entediado, o modo desprendido de empurrar o carrinho. Gosto mesmo. Povo muito diferente do que se encontra nas estações.

Agora devo tomar um modo contrito e dizer que, embora me custe confessá-lo, também sinto certa atracção pelas urgências dos hospitais. Lá fascinam-me os rostos. Defronte de tantas expressões de medo concluo sempre – erradamente, bem sei – que a humanidade é boa e pronta a arrepender-se. Pena é que que para alguns o medo seja de pouca dura.