Arte abstracta, instalações, performances… A reacção que em geral me causam essas e mais expressões artísticas é a de desatar a rir, e o mesmo ressinto com a linguagem esotérica dos apreciadores.
Não precisam de me dizer, porque também o sei, que no meio dos charlatãos há gente íntegra, dedicada e talentosa. O que acontece é que não são os bons, os competentes, quem geralmente leva a melhor, mas os habilidosos, os malabaristas que convencem o povinho de que o rei não é tolo nem vai nu.
No bosque onde passeio o cães desenvolve-se agora um projecto artístico. Não vou comentar, porque por um nada se sofre um AVC e a minha intenção é irritar-me por mais uns anos.
Há por ali vitrinas meio enterradas, cadeiras penduradas em árvores, uma mesa com folhas, ramos e sujidade tirada do chão…
O jovem artista na fotografia cortou e enrolou ele próprio um tapete de relva que pesa trezentos quilos. Com a sua obra pretende referir-se à história do parque, "que só é natureza na aparência, pois foi todo plantado."
Duma coisa estou certo: este vai longe.