segunda-feira, julho 27

Cartas? Postais?

Cartas? Um ou outro excêntrico usa ainda esse meio antigo e máquina de escrever. Postais? O que é um postal? O fax está nas últimas. O telégrafo e o telex pertencem à antiguidade da mala-posta e dos sinais de fumo.

Comunicamos. Ele é internet e twitter, e-mail, sms, VoIP, telemóvel, Facebook, Hyves, Hi5, e porque isso nos parece escasso inventamo-nos mundos e segundas vidas. Comparado ao virtual, o mundo da realidade até no sexo fica a perder.

Conversamos mais rápido. Um perito andou a medir o fenómeno, concluindo que nos dez últimos anos a velocidade da fala aumentou vinte porcento. Não mediu o riso, mas garanto eu que no mesmo período a quantidade de riso subiu a ponto que nos lares, como na televisão e nas escolas, nos escritórios, na rua, nos cafés, fala-se de preferência às gargalhadas. Ruído em vez de sílabas. E uma imagem valerá mil palavras, mas muitas mil vale o silencioso manguito.

Comunicamos, febris, por novas e sofisticadas formas, como se a felicidade disso dependesse. Paradoxalmente, vai aumentando o nosso isolamento. Imaginamo-nos ligados ao mundo inteiro, mas para o mundo já não somos indivíduos, apenas avatares a que um clique dá vida e o clique seguinte descarta.


Coincidência. Chega um e-mail do vizinho do lado, anunciando que vai de férias e deixa a chave da casa na nossa caixa do correio. Tocar à campainha e dar o recado? Seria simples, mas passé. Hoje comunicamos, preferindo não nos vermos e sem precisão de falar.