Terça-feira, Junho 23

Gay, careca, viúvo...


É melhor calar. Custa, mas é melhor. Deixar passar, dizer-me que o mundo é assim. Aceitar.

Foram os "romances" escritos em sms e agora fazem-nos no Twitter, de certeza com muitos Ughs! Grss! e Fuck!.

As pequeninas dos jardins de infância desfilam em concursos de Miss Escolinha. Aqui no bairro põem putos de cinco, seis anos a desancar-se no Kick Box. Com treinadores, assistências, campeonatos e taças.

O jornal respeitável que costumo ler, trazia no sábado uma página dupla com apenas fotografias de cozinhas sujas.

Leio num só dia: (O escritor brasileiro) Bernardo Carvalho escreve realmente muito bem. Por acaso é gay." "David Leavitt the gay author of The Indian Clerk". "…recordando Pasolini, o escritor gay que…"

Porque não usar também, heterossexual, careca, viúvo… Será que uns têm valor acrescentado e outras são apenas qualificativos banais?

Deixar passar. O mundo é assim. Mas refilar, refilar.