sexta-feira, dezembro 5

Importa pouco

Importa pouco que tenha sido platónico e, se se pode dizer, “internético”, facto é que, com um amor que termina, se vai também algo de nós. Finda a ilusão, esse potente motor dos sentimentos. Finda a esperança, que nos dá alento para suportar o presente e sorrirmos aos amanhãs, mesmo sabendo que eles nunca serão os que sonhamos.

Todavia, devo dizer-te que compreendo mal que tenhas dado tanto de ti a um desconhecido. Foi a tua inteligência vencida pelo sonho? Terás anestesiado a sensibilidade? Medo talvez? O medo de te veres a chegar aos quarenta sem amor, sem filhos, pária numa sociedade que alimenta o mito da família feliz e sorridente?

Seja como for, não serei eu a dar-te conselho, pois a minha sabedoria não tem ido de par com a idade. Tãopouco ouvirás de mim recriminações. E pedras ninguém te poderá atirar, a não ser algum daqueles tolos que, incapazes de meter a mão no próprio peito, garantem que nunca erraram.