quinta-feira, outubro 18

O senhor Óscar

Finalmente temos empreiteiro. O senhor Óscar. Homem encorpado, bonachão, na casa dos trinta e de sorriso fácil, mas dum laconismo que torna bicudo discutir com ele preços e prazos.
De preferência responde em monossílabos e o seu vocabulário parece resumir-se a "Sim" ou "Pois", de longe a longe um "É isso", com a particularidade de usar essas expressões, ora num sentido positivo, ora negativo, e nalguns casos vago.
Pergunto-lhe: - Quanto tempo acha que vai demorar a obra? Seis meses? Oito? Um ano?
- É isso.
Zangar-me está fora de questão, insistir também não adianta, porque ele responderá de novo "É isso", ou com mais um sorriso.
Tento outro atalho: - Quando pensa começar?
Vejo-o sorrir, a pausa alonga-se e eu, que nunca joguei xadrês, impaciento-me, abro o jogo:
- Esta semana? Para a próxima?
- É isso.’
- Mas como, então? Esta?
- Pois.