domingo, Maio 27

Ibn Batutah...Sandokan...

Recordo da meninice o fascínio que exerciam sobre mim os atlas. Antes de ter viajado de facto, fatigando o corpo, amolguei os dedos descrevendo linhas sem fim sobre os mapas, a seguir rotas que me pareciam interessantes, indo da Nova Zembla à Patagónia, da Groenlândia ao Mar de Java, para trás, para diante, capaz de voar, fantasiando paisagens e gentes, ubíquo como Santo António.
Livro que lia, de imediato me punha a procurar no mapa os locais das suas peripécias. Foi assim que corri Lisboa muito antes de lá ir, e decorei com tanto afã as ruas de Paris e as estações do metro, que nunca nelas precisei de guia.
Ibn Batutah, Marco Polo, Vasco da Gama, Magalhães, Miguel Strogoff, Sandokan, reais ou fictícios, desses e muitos outros me entretive a seguir as viagens e aventuras, de tal modo embevecido que chegava a sentir o chouto dos camelos, o adernar das caravelas, os solavancos do trenó na estepe gelada. E nunca as viagens reais se comparariam em beleza às da imaginação.