Depois de mais de cinquenta anos de vida literária, milhões de palavras escritas, centenas de artigos, dezassesis livros publicados, o escrever permanece para mim a mais difícil das actividades, e a mais misteriosa.
Paradoxalmente adquiri nela alguma rotina, mas nada que possa considerar como experiência. Daí a frustração que frequentemente sinto de passar horas a fio, dias, a olhar a frase incompleta, a página incabada, sem saber que exigências me são feitas para que consiga arrematá-las com satisfação.
Ouvisse eu vozes, como alguns dizem que têm o privilégio de ouvir.
